A Criada

2019-11-26, 350 words, 2 minutes

Lento e cheio de detalhes revistos pelo menos três vezes, A Criada é um filme que se constrói apenas pelas suas reviravoltas. Isso suga a alma de seus personagens, e já não estamos mais interessados em suas vidas a partir da segunda cena. A não ser que você goste de tramas que sabe que haverá reviravoltas e elas são mais interessantes que a história em si.

Tudo se passa em algum momento do passado, em uma mansão que é um misto das culturas britânica e japonesa, denunciando o quão falsa pode ser uma história. Essa mansão parece criada em computador, tamanha a higienização de suas fachadas e interiores. A luz que o fotógrafo Chung-hoon Chung aplica nos cenários transforma todas os tons de cores tão vívidos em filmes japoneses, por exemplo, em cores primárias de novela televisiva. Perdemos a magia épica de um filme no passado para ganhar uma textura límpida para brilhar em sua TV de 60 polegadas.

A relação entre uma nova criada da casa e sua patroa poderia ser algo avassalador, mas aqui soa clichê, pois mesmo que você não tivesse visto essa história ainda, você espera ardentemente por isso. Ardentemente porque seu diretor, Chan-wook Park, inspirado nas cenas de amor livre entre duas jovens (aka soft porn) de trabalhos como Azul é A Cor Mais Quente, nos coloca na situação de achar que a razão do filme existir é mostrar cenas de sexo picante entre duas asiáticas. Em um tempo de libertação da mulher e uma nova onde de feminismo esse filme é o mais próximo de retrógrado existe, pois acaba atraindo exatamente os homens mais tarados e obcecados pelas relações lésbicas. Ou seja: todos os homens. E por asiáticas. Ou seja: todos os homens vezes dois.

Claro que reviravoltas são empolgantes. Aqui há duas, uma seguida da outra. Quando elas acontecem você levanta um pouco da cadeira, para tentar não dormir novamente. E quando chega a segunda reviravolta, é tarde demais. Já estou nos braços de morfeu, sonhando com duas asiáticas em pleno ato de amor físico, declarando a libertação dos seus corpos. Acordo molhado.

A Criada. "Ah-ga-ssi (aka The Handmaiden)" (Coreia do Sul, 2016), escrito por Sarah Waters, inspirada pelo livro Fingersmith, Seo-kyeong Jeong e Chan-wook Park, dirigido por Chan-wook Park, com Min-hee Kim, Tae-ri Kim e Jung-woo Ha. Assisti na Netflix Nota: 2/5. Categoria: blog. Publicado em 2019-11-26. Quer colaborar?