A Rocha

2019-09-29

Quem assiste os Transformers da vida de Michael Bay não entende como ele pode ser bom na direção usando o mesmo estilo vídeo-clipe que o tornou famoso. Mas ele é. E A Rocha está aí para provar que estou dizendo a verdade.

Eis um filme, como qualquer Transformer, igualmente frenético, cheio de falas e personagens fúteis, mulheres que são apenas temas para a masculinidade, patriotismo ufanista e confuso. E mesmo assim absurdamente divertido de assistir, emocionante em alguns momentos, engraçado em tantos outros.

O que mudou? Bom, aqui temos uma história simples que mantém a tensão, um pano de fundo para a ação, e não apenas robôs gigantes se exibindo para a câmera (lenta) com motivações que não se sustentam por dois segundos. Mas OK, a história de A Rocha é clichê, mas o importante é que ela funciona para o que o filme pretende. Duvida? Vem comigo.

Ed Harris (atualmente na série Westworld) é um militar aposentado que se cansou das injustiças do governo americano com seu ex-pelotão. Viúvo e sem nada a perder, ele arrisca apenas sua reputação lendária nas forças armadas reunindo cerca de vinte homens em uma missão quase suicida: sequestrar turistas na prisão de Alcatraz (vulgo “A Rocha”) e pedir uma soma de dinheiro significativa como compensação aos soldados que lutaram na guerra, com a ameaça de lançar mísseis em São Francisco com veneno capaz de matar dezenas de milhares de pessoas.

Para impedir isso o FBI reúne uma equipe de elite junto de um gênio da química com experiência zero em campo, e para penetrar nesta que já foi uma fortaleza utilizar os serviços de um espião britânico anônimo, preso há trinta anos por não entregar os segredos americanos que obteve. Sean Connery é esse espião. Um cavalheiro no meio de mongolóides. Ele é a ação, e o químico, interpretado por Nicolas Cage, é o nosso guia moral. Um é pai e o outro será, e por isso ambos possuem um motivo muito forte para impedir um desastre na cidade.

Com esse circo montado Michael Bay faz o que sabe fazer de melhor: cenas frenéticas com cortes a cada meio segundo. Há uma perseguição no meio de São Francisco que é uma das melhores já filmadas. Ela não é realista, mas possui cadência, escala, e absurdo. É risível e empolgante ao mesmo tempo. Há tantos elementos em cena que não nos preocupamos com nenhum. É a emoção da perseguição em si, e não o que ela significa no filme. Mas, claro, há um motivo por trás, forte o suficiente para mover a história. O que não quer dizer que nos preocupamos com isso.

Bay não se intimida quando esses dois times de elite se encontram cara a cara. Ele é o diretor dos exageros e vai até o fim, mas está sob o controle supremo de um roteiro assinado pela dupla David Weisberg e Douglas Cook (que assinam também Mente Criminosa) que não é essas maravilhas, mas pelo menos define alguns limites do possível para o cineasta.

Há muitos momentos com uma manipulação ridícula, como a esposa do químico na torcida com o FBI, ou um velho agente da instituição que não consegue engolir o espião inglês se safando da prisão, mas esses são meros detalhes ocasionais, e quando acontecem são engraçados por serem exageradamente absurdos. Se nem o filme os leva a sério, o que dirá nós.

A Rocha. "The Rock" (EUA, 1996), escrito por Douglas Cook e David Weisberg, dirigido por Michael Bay, com Sean Connery, Nicolas Cage e Ed Harris. Assisti na Netflix porque queria ver um filme farofa velho tipo Independence Day, mas eles tiraram do catálogo e deixei baixando. Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-09-29. Quer colaborar?