Aprendendo um terceiro idioma
Wanderley Caloni, 2009-12-11: devaneando

Inspirado pelo texto de Chad Fowler que explica como o aprendizado de um segundo idioma mudou sua vida (sua língua-mãe é o inglês americano), resolvi descrever brevemente o que foi o momento da minha vida que decidi que iria tentar aprender Russo. Lógico, sem todo o folclore e a experiência de vida do autor do original.

Primeiro, meus motivos primários:

  • Estava escutando Tatu;
  • Costumava conversar pelo ICQ com uma amiga de Moscou (em inglês, apesar dela falar mais três ou quatro idiomas; e ela só tinha 19 anos!);
  • Estava querendo aproveitar parte do meu cérebro que fica inerte a maior parte do tempo porque meu emprego basicamente só mexe com coisas (quase) lógicas, como programação;
  • Achava uma língua bem bonita e exótica;
  • Gosto de jogar xadrez (o que isso tem a ver?)

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Bom, no início comecei aprendendo o alfabeto. Alguns podem dizer que não há nenhum segredo no cirílico, e de fato não há. Porém, uma coisa é saber **interpretar **mais ou menos aquelas letrinhas derivadas do grego; outra completamente diferente é saber **escrever **em letra de base e em letra de mão todos os 33 caracteres, e ainda saber de cor o leiaute do teclado russo. Isso leva um pouco de tempo, e é bem divertido!

A partir daí passei cerca de seis meses apenas treinando a escrita e leitura do cirílico, aprendendo a diferença de som dependendo do contexto, um caderno a tiracolo no meio do ônibus, do trem e do metrô escrevendo infinitas linhas incompreensível provavelmente por 99% das pessoas que cruzavam meu caminho e olhavam curiosas.

Depois, o idioma em si. Nessa fase resolvi apelar para um curso disponível no mosteiro S. Bento ministrado por uma russa autência, de S. Petersburgo. Ela não falava muito bem português, o que para mim era um “plus”.

Passei mais seis meses de curso com ela e com alguns textos que ia baixando da internet. Depois do curso comprei um curso em áudio e texto que fui acompanhando morosamente pelo resto dos dois anos que passei me aventurando pelo idioma.

No meio do caminho um amigo meu achou o podcast Spoonful of Russian, o que foi uma diversão só, especialmente pelo conhecimento cultural e musical do povo russo. Minha amiga também me enviou alguns CDs de bandas russas famosas, e fiquei especialmente encantando com Ivan Kupala, que até hoje escuto. Se trata de uma banda que pegou músicas do folclore russo e adaptou para os tempos atuais, mas cantado ainda por velhinhas e velhinhos que aparentemente parecem ter saído de uma aldeia dos Montes Urais.

O cinema e a BBC russa também representaram um instrumento de aprimoramento do listening do dia-a-dia. Uma coisa é escutar um russo falando devagar durante uma aula de declinação do futuro por aspecto. Outra coisa é ver alguém usando isso enquanto atravessa a rua conversando com um amigo no meio do barulho da cidade grande, ou uma mulher que mais parece uma metralhadora disparando 500 notícias de uma vez no podcast de um jornal da internet.

Infelizmente, essa fase esmaeceu. Agora estou muito interessado em finanças e isso fez com que o russo ficasse cada vez mais para trás. Se me pedir hoje para falar algo em russo vou conseguir apenas balbuciar as mais “comunzinhas”, pois esqueci todo o resto. Foi perda de tempo? Claro que não! Foi uma experiência que mostra que podemos aprender qualquer coisa a qualquer hora, independente do quão estranho ou bizarro isso seja.

¿¿ ¿¿¿¿¿¿¿¿!