Atividades extracurriculares
Wanderley Caloni, 2011-01-18: programação

Essa é uma resposta a um simpático e-mail de um leitor, o Fabio, me perguntando sobre a tal da lógica (de programação?) e das atividades que um programador pode ter quando está longe do micro para não ficar com a “mente vadiando”.

Entusiasta ao máximo, ele montou uma lista baseada em estudo constante sob variadas formas, mesmo longe do micro:

  • Contar binário e calcular hexa na cabeça;

  • Ler livros;

  • Programar em papel;

  • Algo mais?

De acordo com ele, o programador não consegue viver sem lógica, e quando tenta, se torna algo “intolerável”.

Já fiz duas dessas coisas divertidíssimas em minha tenra idade: contar binário enquanto varria o laboratório onde trabalhava, programar em papel numa noite que fiquei ao relento por ter perdido o busão. Não faço mais essas coisas. Agora eu sou fresco. “Programo em UML”.

Primeiro, de que lógica estamos falando? Existem diversas lógicas e existe a intuição, lado importante e muitas vezes renegado, mas presente no cinto de utilidades. É só saber usar. Seja um, seja outro.

Segundo, o cérebro pode cair na vadiagem. Aliás, ele deve. Sem vadiagem, nunca conseguimos processar aquelas threads que ficam rodando em idle, no inconsciente, e que podem resolver uma série de questões que ficam ensebando em nossos conturbados egos. É como o copo cheio de água em Karate Kid (ou em “2012”).

O básico mesmo é ler livros. Tão básico que deve ser a atividade principal quando não estamos com nenhum eletrônico bonitinho na mão. Aliás, até quando estamos, com o auto-controle, conseguimos ler um ebook de vez em quando.

Independente do método empregado, nunca visualize seus esforços com ceticismo, e muito menos com o ceticismo dos outros. Se estiver funcionando, continue a fazê-lo. Não vê resultados? Mude o método. Senão cai na velha frase de Eistein sobre o sujeito que espera resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa: loucura.

O que eu adicionaria na lista?

  • Assistir CSI. Pra entender o uso prático dos métodos indutivo e dedutivo de raciocínio; mais indutivo.

  • Assistir House. Nunca é demais se imaginar como o médico-louco que cura todas as doenças esquisitas; doença aqui é bug.

  • Assistir Dexter. Veja como ele faz o seu trabalho seguindo sempre o mesmo método e deixando o ambiente limpinho, sem nenhuma pista.

Fora isso, curta o que está fazendo. Isso é o primordial. Arrebenta com qualquer dúvida que tiver sobre estar no caminho certo.