Eu Posso Ouvir o Oceano

2020-02-16 · 249 · 2

Os Estúdios Ghibli criam personagens reais em cada trabalho porque há um pluralismo nas características desenvolvidas em seus personagens e nas situações que eles vivem e interagem ao longo do tempo que alcançam um nível de quase-vida. Somos quase capazes de reconhecer um ser humano completo, ou pelo menos seus anseios, ambições, medos e lembranças. O tempo e as memórias são elementos tão vitais para a equipe de desenhistas e roteiristas que eles criam uma linguagem especial apenas para expressá-los da melhor maneira possível.

Esta é uma história simples de pouco mais de uma hora sobre dois garotos amigos de uma escola do interior. Surge uma garota da capital cujo temperamento é um misto entre problemas na família e incapacidade de confiar nos outros. Nenhum deles enxerga a garota real porque essa é a adolescência e também porque a história é incompleta. Faltam pedaços que nos impedem de entender a real profundidade deste drama adolescente.

Dessa forma, ficamos apenas na superfície, observando os lindos cenários e movimentos desenhados pela equipe de produção, e como até nos rostos desses jovens já adultos percebe-se um afinco pelo detalhe. Não um detalhe técnico frio, automático, mas um detalhe sensível, que emula a natureza caótica da vida. Nós não sabemos com certeza como será o rosto de crianças que conhecemos hoje. Há programas de computador que fazem isso por diversão e para reconhecimento de pessoas perdidas. Porém, aqui é a natureza em ação. E a natureza está nas mãos dos desenhistas deste estúdio.

"Umi ga kikoeru" (Japão, 1993), escrito por Saeko Himuro e Keiko Niwa, dirigido por Tomomi Mochizuki, com Nobuo Tobita, Toshihiko Seki e Yoko Sakamoto. Da série dos Estúdios Ghibli que a Netflix liberou. 3/5 · movie · 2020-02-16
Fim de Festa Entre Realidades