Shaun o Carneiro – O Filme – A Fazenda contra-ataca

2020-03-23 · 461 · 3

São tantos subtítulos neste filme da Aardman… ele é uma versão estendida de um episódio da série Shaun Carneiro. Não é o primeiro longa-metragem. O primeiro se chamava Shaun: O Carneiro e tinha a graça e a originalidade de contar uma história mais longa sem qualquer diálogo, muitas vezes referenciando as comédias no início do cinema.

Aqui, em parceria com a Netflix e com mais trucagens de computação, a equipe de animadores conduzida pelos diretores Will Becher e Richard Phelan está inspirada em referenciar obras de sci-fi clássicas, começando pela pizzaria H. G. Wheels e terminando por três momentos que se ouve as músicas icônicas da obra desse autor (se você não conhece, H. G. Wells o nome dele) para o cinema, 2001: Uma Odisseia no Espaço, é tocada. O primeiro desses momentos toca Also sprach Zarathustra, um poema sinfônico de Richard Strauss, baseado na obra homônima de Friedrich Nietzsche (Assim Falou Zaratustra) onde foi cunhado o termo Übermensch, ou o que virá após o homem, depois que ele conclui em sua fatídica frase pós-iluminismo, “Deus está morto”. Na obra cinematográfica de Kubrick a música toca em dois momentos de ascenção: primeiro dos primatas, depois dos humanos. Quando vemos o fazendeiro simples, mas obtuso, tendo uma epifania de como conseguir seu objetivo de ter um trator mais potente vendendo ingressos para um parque temático que pega carona em uma possível invasão alienígena na cidade mais próxima, as engrenagens referenciais quase se conectam, como que a juntar de maneira torta e original Nietzsche, primatas, Kubrick, Revolução Industrial e um fazendeiro se esforçando para pensar no mesmo parágrafo.

Esse é pano de fundo metafórico que é utilizado para uma história que referencia outras obras, como Enigma de Outro Mundo (John Carpenter) Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T.: O Extraterrestre (ambos Steven Spielberg). O ET desse filme é fofinho, seu comportamento é suficiente para gerar carisma automático ao mesmo tempo que nos mantém com a pulga atrás da orelha para tentar entender seus objetivos, mesmo que inconscientemente entendamos que se trata de um mini-remake de Spielberg em forma de animação.

Como a maioria das animações cheias de boas, ideias, o primeiro e segundo ato compensam pela criatividade e por entreterem como nenhum live action faria. Cheio de ação e detalhes vistos às vezes em frações de segundo. Um policial anota as palavras ditas por uma testemunha. Ela resmunga “glarg glarg blah”, e é exatamente o que vemos escrito, de relance, no caderno do policial.

O terceiro ato, como a maioria das animações, peca pela repetição e necessidade de tramas e sub-tramas, sempre agarradas à sensação falsa que há mais algum perigo da missão do filme não ser concluída. É preguiçoso e automático. Dá vontade de rever o filme, mas só até a metade.

"A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon" (United Kingdom, France e United States, 2019), escrito por Jon Brown, Mark Burton e Nick Park, dirigido por Will Becher e Richard Phelan, com Justin Fletcher, John Sparkes e Chris Morrell. 3/5 · movie · 2020-03-23
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