Independence Day

2019-11-11, 394 words, 2 minutes

Assisti Independence Day no cinema quando estreou. Levei minha mãe na maior sala da cidade de São Paulo, lá no bairro da República, próximo do Centro. O Cine Marabá, com quase 1000 lugares, que depois foi mutilado em mais um multiplex. A imagem da Casa Branca explodindo sob um raio vindo de uma nave alienígena gigantesca é uma das memórias mais vivas do cinema catástrofe da década de 90, e o resquício de uma época em que blockbusters eram filmes ainda raros, e que valiam o preço da viagem ao cinema, do ingresso e da pipoca.

A história é tantas dessas outras que Roland Emmerich se especializou em dirigir, como O Dia Depois do Amanhã e 2012, mas em meio à farofa, canastrice e a história sem sentido há um certo brilho que insiste em aparecer em uma cena ou outra. Pode ser quando o personagem do Will Smith abre a nave que acabara de vencer e dá um soco na testa do alienígena. Pode ser quando o personagem de Jeff Goldblum (na época famoso como o nerd de Jurassic Park) solta o seu “ops” depois que descobre que a nave-mãe mantém controle remoto da espaçonave onde está. Pode até ser quando o presidente interpretado por Bill Pullman resolve animar o último esquadrão disponível para chutar o traseiro dos aliens em um discurso que resume da melhor maneira possível o que significa esse inchado filme de ação. É sobre orgulho. Orgulho de fazer explosões soarem solenes.

Me lembro que este foi o primeiro filme a ser massacrado pelos nerds de computador de plantão. Ninguém comprava a ideia de hackear um sistema alienígena usando um vírus feito em um computador da Apple. Pessoas que estão tão compenetradas na história de uma invasão alienígena para reparar neste detalhe de falta de descrença já foram fisgados e estão apenas apontando o fio que segura o Superman voando aparecendo, mas que continuam admirando a capacidade de Christopher Reeve de voar.

Independence Day é o arrasa-quarteirões da década de 90. Possui uma história inadmissível que une diversos núcleos em torno de um vilão em comum. É a humanidade contra o efeitos visuais que ainda hoje impressionam (um pouco). E por mais que a poeira já tenha assentado nessas naves por mais de 20 anos, olhando de um certo ângulo ainda se pode perceber um brilho que insiste em existir.

Independence Day. "Independence Day" (EUA, 1996), escrito por Dean Devlin e Roland Emmerich, dirigido por Roland Emmerich, com Will Smith, Bill Pullman e Jeff Goldblum. Baixei porque queria ver essa farofa de novo em minha noite de solteiro. Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-11-11. Quer colaborar?