Introdução à Introdução à Computação

2014/07/01

Capa do livro Chegou minha segunda cópia do livro “Introdução Ilustrada à Computação”, de Larry Gonick, recém-encontrado em um sebo. Esse eu não empresto para mais ninguém. Porém, posso recomendar aos ainda não-iniciados, e até mesmo aos iniciados em um nível superior ao do elétron: leiam esse livro pelo menos duas vezes. Isso é o que estou fazendo, e mesmo já com quase 15 anos computando nas ruas ainda aprendendo alguma coisa interessante.

O livro começa lá nos primórdios da informação, antes mesmo da humanidade. Sim, pois informação não necessita sequer de um ser sensciente para ser transmitida e utilizada, como já foi comprovado através de nosso código genético, o agora-popular-por-causa-do-ratinho DNA. Uma informação codificada intrinsecamente no processo de reprodução das células de um ser vivo. Um computador orgânico!

Imagem artística do DNA

Porém, mais do que explicar o que é informação, o livro de Gonick consegue fazer pensar que computadores sequer existiriam se seres humanos não estivessem sendo sufocados nesse último século de toneladas de informação para processar. É por isso que temos a dramática aventura de Charles Babbage e Ada Lovelace (nossa primeira programadora, a gatona da foto abaixo), também descrito na íntegra e com detalhes no livrinho ilustrado.

Foto de Ada Lovelace

Antes mesmo da invenção do computador nós usávamos outras coisas para armazenar e reproduzir informação, como escrita, cérebro, discos de vinil, direitas no queixo… e para processar a informação, que é transformá-la em alguma outra informação, um dos primeiros “computadores” embutidos do homem foram seus próprios dedos, que permitiram contar e fazer contas simples de adição. Dessa forma, os cálculos que usavam nossos dedos logo se transformou em nossa era digital. Daí para escrita e ábaco foi um salto (de alguns milhares de anos).

Imagem de ábaco engraçadinho

Passando por romanos, persas, chineses e a Revolução Industrial, a narrativa cômica de Gonick nos leva para as entranhas do sistema computacional moderno com as invenções do já citado Babbage e Herman Hollerith. Este último revolucionou o processamento de dados do censo populacional e fundou a ainda de pé IBM, onde o escovador-de-bits em kernel Fernando (do blogue DriverEntry) atualmente vive suas peripécias.

E por falar em bits, essa é uma parte importante desta saga, pois foi com o conceito binário que toda a lógica computacional evoluiu. Iniciando com simples eletricidade e a tecnologia de circuito que permite que acendamos e apaguemos uma lâmpada e terminando na mágica mais pura, simples e poderosa para os programadores (de hardware e sofware): o flip-flop. Gonick chega ao cúmulo de explicar todas as invenções da época encontrando sua necessidade de fatos do dia-a-dia – como as telefonistas – se transformando em uma espécie de Tanenbaum desenhista. Das válvulas aos semicondutores, o livro engrossa nosso conhecimento a cada imagem, fazendo-nos repensar novamente o que já havíamos cansado de aprender na faculdade ou em livros ou na internet.

Sua Parte II, o espaguete lógico, acredito que seja o que mais interessa a nós, programadores. Por isso espero dissecá-lo com um pouco menos de palavras e um pouco mais de código. Até lá!

Circuito de flip-flop

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