Klaus

2019-12-08, 426 words, 2 minutes

Ideias brilhantes soam óbvias depois de ditas, e Klaus está amparado pela ideia brilhante do animador Sergio Pablos de tal forma que é difícil se desvencilhar de sua beleza intrínseca, ainda mais se considerarmos que o espírito de natal nunca esteve tão desgastado.

A história dessa animação sem inspiração nos traços, mas com muita identidade nas cores, é contar a história de como surge uma lenda sem pé nem cabeça como a de Papai Noel. Inventada através de uma mistura entre folclose e atualizada como lenda urbana, hoje para muitos o velho Noel é um acumulado de absurdos. E “Klaus” se insere dentro desse contexto para resgatar o que há de mais importante, no meio dessas lendas de renas voadoras ou uma pessoa robusta entrar pela chaminé: a força de ajudar as pessoas sem querer nada em troca. Apenas pela gentileza.

É claro que todos os filmes sobre o Natal tentam fazer isso, mas Klaus está muito bem adaptado aos novos tempos, os cínicos novos tempos, pois usa como protagonista o filho de um milionário que não quer mais nada a não ser ficar de boas pelo resto de sua vida. Enviado para ser carteiro pela empresa do pai no lugar mais inóspito do planeta, mais ao norte possível, lá ele encontra uma alegoria que critica as tradições impensadas de um povo que se divide em dois por uma rixa histórica. E seu interesse próprio é apenas conseguir cartas para atingir a quantia que preicsa para sua volta para casa.

Não há mais nada de novo no filme exceto a surpresa que ele contém. Usando uma narrativa falsa no começo por tempo o suficiente para acreditarmos, a história de Sergio Pablos subverte o jogo dos protagonistas para apresentar o seu personagem-título quase na metade da história. E ele é o personagem com falas com menos falas possíveis. O contexto fala por si próprio, e o belíssimo design de produção em torno de sua casa, de suas casas de passarinho, seus brinquedos empoeirados e o machado estiloso. Este é um filme que esbanja contexto pelo seu visual.

A trilha sonora é de uma simpatia que mistura previsibilidade com emoção. É previsível que essa história nos emocione, mas a música de Alfonso G. Aguilar apenas nos acompanha, sem forçar a situação. Quando vemos, todo o conjunto – direção, roteiro, arte e trilha – combinam em uníssono essa força mágica que quer resgatar o espírito de natal em tempos cínicos, onde muitos dizem que irá terminar com o conceito de família, ignorando que conceitos se transformam. A essência, nunca.

Klaus. "Klaus" (Espanha e Reino Unido, 2019), escrito por Zach Lewis, Jim Mahoney e Sergio Pablos, dirigido por Sergio Pablos e Carlos Martínez López, com Jason Schwartzman, Rashida Jones e Joan Cusack. Uma surpresa de Natal na Netflix. Nota: 4/5. Tags: movies. IMDB: 4729430. Publicado em 2019-12-08. Quer colaborar?