A Beleza da Ética de Ayn Rand

Craig Biddle

2016/10/17

Ayn Rand era contra à moral do autossacrificio, a qual é inerente a muitos sistemas filosóficos e a todas as religiões. Ao invés disso, ela defendia uma moralidade do autointeresse – a ética Objetivista – a qual, como ela explica em seu ensaio “Causality Versus Duty” (Causalidade Contra o Dever), é aptamente resumida pelo provérbio espanhol “Deus disse: Pegue o que você quiser e pague por isso”.

Rand era ateia, então seu uso de “Deus” aqui é metafórico. Por “Deus disse” ela quer dizer “a realidade dita”; ela está se referindo à imutabilidade do fato de que se você quer alcançar um efeito (um fim), você deve ordenar suas causas, os meios. Esta é a lei da causalidade aplicada aos valores humanos. Nossos valores – quer seja uma maravilhosa carreira, um relacionamento romântico, boas amizades, hobbies que enriquecem a vida ou liberdade política – não nos vêm automaticamente, nem os perseguimos automaticamente. Se nós queremos essas coisas, devemos escolher agir por certos modos e não por outros. Este é o modo que a realidade é. Este princípio é absoluto. “Deus disse”.

“Pegue o que você quiser” refere-se ao fato de que os valores humanos são escolhidos. O reino dos valores humanos – o reino da moralidade – é o reino da escolha. Uma moralidade apropriada não é sobre mandamentos divinos (não há deus) ou imperativos categóricos (não há tal coisa) ou deveres (eles não existem). Em vez disso, é sobre o que você quer da vida e o que você deve fazer para conseguir o que você quer. Uma moralidade apropriada é um conjunto de princípios para guiar suas escolhas e ações em direção a uma vida de felicidade.

É importante notar, tal como enfatizado por Rand, que isso não torna a moral subjetiva. O que promove a vida de uma pessoa é ditado não pelos seus sentimentos divorciados dos fatos, mas pelos requisitos factuais de sua vida e felicidade – dada a sua natureza humana. Assim como um coelho não pode viver e prosperar pulando de penhascos, e assim como uma águia não pode viver e prosperar cavando túneis, então uma pessoa não pode viver e prosperar agindo contrariamente aos requisitos da sua vida.

Nós somos seres complexos de corpo e mente, matéria e espírito, e os requisitos de nossa vida e felicidade derivam de ambos os aspectos desse conjunto integrado. Se nós queremos saber quais requisitos são esses, devemos identificar os fatos relevantes. Dada nossa natureza, nós precisamos de valores específicos para viver e prosperar. Nós precisamos de valores materiais tais como comida, roupas, abrigo e remédios; precisamos de valores espirituais, tais como amor próprio, autoconfiança, amizades e amor romântico; e precisamos de valores políticos, tais como o estado de direito e a liberdade política – os quais nos permitem perseguir nossos valores materiais e espirituais. Consequentemente, a fim de viver e prosperar, nós devemos apoiar e empregar o valor fundamental que torna possível a nossa identificação e busca de todos os nossos outros valores: a razão.

A razão é nosso meio de observar a realidade, formar conceitos, identificar relacionamentos causais, evitar contradições e formar princípios sobre o que é bom e ruim para nossa vida. A razão é nosso único meio de conhecimento e nosso meio básico de viver. Assim, se nosso objetivo é uma vida de felicidade, nós devemos ter a razão como um absoluto; nós devemos ser racionais como uma questão de princípio.

Ser racional não significa nunca errar; humanos são seres falíveis, e erros ocasionais fazem parte da vida. Nem significa reprimir ou ignorar nossos próprios sentimentos; o que não seria racional, pois sentimentos são tipos cruciais de fatos. Pelo contrário, ser racional significa comprometer-se, como uma questão de princípio, a identificar os fatos disponíveis e relevantes em relação às alternativas apresentadas na vida, a agir de acordo com seu o melhor julgamento dado aquilo que se sabe em determinado momento e a corrigir quaisquer erros cometidos se e quando forem descobertos.

Sendo assim, “pegue o que você quiser” não significa “siga suas emoções sem respeitar os fatos e a lógica”. Significa use seu julgamento racional para descobrir quais objetivos e cursos de ação resultarão em uma vida de felicidade e aja de acordo com isso. Significa “pegue o que você racionalmente quiser”.

“Pague por isso” refere-se ao fato de que se nós queremos realizar nossos objetivos, devemos trabalhar para realizá-los, devemos decretar suas causas. Assim diz a lei da causalidade. Isso não é um fardo, mas uma benção: escolher valores e trabalhar para realizá-los – seja uma carreira em programação de computadores, um relacionamento amoroso com a garota ou o cara dos seus sonhos, uma viagem de barco ao redor do mundo ou uma casa de veraneio em Catskills – não é um processo a ser lamentado. É parte e característica de viver uma vida maravilhosa.

Uma moralidade apropriada é uma ferramenta crucial para viver e amar a vida, e a ética Objetivista é exatamente tal moralidade. Seus valores de razão, propósito e autoestima – junto com as suas virtudes de racionalidade, produtividade, honestidade, integridade, independência, justiça e orgulho – estão, em conjunto, a serviço desse fim. Eles são nossos meios de pegar o que nós queremos e pagar por isso.

Essa é a beleza da ética Objetivista.

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Original: https://www.theobjectivestandard.com/2010/12/the-beauty-of-ayn-rands-ethics/