Como o Altruísmo Prejudica a Saúde Mental e a Felicidade -- Parte I

Edwin A. Locke Ph.D., Ellen Kenner, Ph.D.

2016/10/17

A maioria das pessoas aceita como um axioma que o altruísmo é moralmente bom e o egoísmo é moralmente mau. O nosso objetivo é mostrar que, não apenas isso é o oposto da realidade, mas que o altruísmo prejudica a saúde mental e a felicidade. Vamos começar com Amy, mãe de três filhos, que tem entrado e saído da terapia sucessivamente há anos.

Amy foi diagnosticada com depressão e tentou diversas medicações sem sucesso. Ela trabalha parte do tempo como garçonete enquanto seus filhos estão na escola primária. Ela dirige para o sogro e o leva para suas consultas médicas, para encontros de idosos e para seus jogos de poker. O seu irmão deixa os filhos na casa dela nos fins de semana, assim, todas as crianças podem “brincar juntas”. O marido de Amy se considera “tradicional” – ela faz tudo para ele. Amy range os dentes e aceita que esse é o modo que a vida é – cheia de encargos.

Amy sente dor crônica nas costas devido à hérnia de disco há anos. É doloroso para ela servir às mesas no trabalho, subir escadas, carregar roupas para lavar e ser ativa com as crianças. Seu médico insistiu para que ela fizesse cirurgia, mas ela sente que não tem o direito de se ausentar do trabalho ou das suas responsabilidades domésticas. Ela se sente culpada apenas em considerar isso, um sentimento que ela não consegue submeter a questionamentos. A autoestima de Amy está ligada ao sentimento de que ela é uma boa esposa, uma boa mãe e uma boa nora – ainda que essa “boa” estimativa venha ao custo da sua própria saúde e felicidade. Ela se vê cada vez mais amargurada e depressiva – sendo ríspida com os seus filhos, seu marido e seu sogro – as mesmas pessoas que ela queria amar. E ela sente ansiedade crônica e tem duvidas sobre si mesma. O médico encorajou Amy e seu marido a procurarem um psicólogo. Mas o seu marido se recusa a ir, então ela vai sozinha. A terapia vai a lugar nenhum. O seu terapeuta a encoraja a fazer o que Amy “sente que é certo”. Nem o terapeuta, nem Amy, questionam por quais padrões julga-se algo certo ou errado, bom ou ruim, saudável ou nocivo. “Certo”, para Amy, é colocar os outros acima de si mesma – aceitando assim o código moral do altruísmo. E o terapeuta sente que ele não pode tomar qualquer posição; ele tem que ser “moralmente neutro”. Imagine ir a um médico que não possui padrões racionais e científicos de saúde física e que sente que ser “ético” é permanecer “neutro” e deixar que a opinião do paciente a respeito da “cura adequada” seja a sua solução. Nenhuma pessoa racional iria querer um cirurgião ou cardiologista que se comportasse de tal maneira. Por que deveria ser diferente no campo da saúde mental-

Sua saúde mental e felicidade não são obtidas pelo sacrifício do seu pensamento independente nem desistindo da busca do que você mais valoriza na vida. Vamos ver o porquê.

O que é altruísmo

Literalmente, altruísmo significa outro-ismo – a doutrina de que você deve viver para os outros, o que significa que você deve sacrificar seu tempo, sua energia e sua felicidade para as outras pessoas, assim como Amy faz. Esses outros – os beneficiários dos sacrifícios – durante toda a história, tomaram inúmeras formas: a tribo, a antiga cidade-estado, Deus, a raça superior, o proletariado, o estado, a sociedade, o “meio ambiente” ou a família. Qual é o elemento em comum- Para ser moral, você deve trabalhar para o benefício de alguém ou de algum coletivo ou de alguma entidade diferente de você mesmo. Amy vive para os outros – ela não alcançou a autoestima e a felicidade; em vez disso, ela se sente vazia, sobrecarregada, deprimida e sofre de dor física crônica.

Certamente, Amy, às vezes, faz algumas coisas para si mesma – isso é inevitável (por exemplo, ela compra roupas para se aquecer no inverno, toma os medicamentos prescritos, faz três refeições por dia, incluindo alimentos que ela pessoalmente gosta de comer). Ninguém pode viver consistentemente como um altruísta – pessoas que nunca fizessem algo que beneficiassem a si mesmas morreriam. Até o ato de respirar é valorizar a si mesmo.

A não ser pela total autoimolação, o altruísmo deve ser praticado inconsistentemente – você sacrifica a maior parte do seu tempo, mas, de forma culpada, permite o seu autointeresse quando possível. Qual é a consequência de trair esse código moral- À medida que você leva a moralidade a sério, é uma culpa inexorável. Você se sentirá hipócrita: você se sacrifica pelos outros frequentemente, mas em seguida você age de forma egoísta. Você não é capaz de ser um completo mártir, isto é, você não poder viver completamente de acordo com os seus próprios padrões morais do que é o bem.

Quais argumentos são dados para validar o altruísmo

Por que Amy deve viver para os outros e não para si mesma- Quais provas são oferecidas de que o altruísmo é o correto padrão moral- Uma prova racional dessa doutrina jamais foi dada. Ao invés de provas, desde os seus primeiros dias, diziam à Amy que isso era uma questão de fé. Ela aprendeu sobre os mártires religiosos (por exemplo, Jesus) e lhe disseram que esses heróis do sacrifício eram os ideais morais a serem emulados. “Todas as pessoas de bem têm fé”, diziam-lhe. Ela ouviu algumas histórias, por exemplo, de como Deus pediu a Abraão pra sacrificar (isto é, assassinar) seu filho favorito. Ela se lembra de se abalar com isso mas então concluir que a fé exigia que ela acreditasse que aquilo era bom, ou que era a maneira de Deus nos “testar”. Deus, diziam- lhe, é a fonte da moralidade, e isso é conhecido através da revelação.

Mas o que é fé- Fé é a aceitação de ideias baseadas em sentimentos, na ausência de fatos ou ao contrário dos fatos. Nenhuma evidência é necessária e nenhuma lógica é aplicada. Fé e revelações são realmente táticas para que você seja intimidado a sacrificar, não o seu primeiro filho, mas a sua própria mente e o seu próprio bem-estar.

À Amy foi dada uma segunda “razão” para abraçar o altruísmo: a afirmação de que a alternativa, o egoísmo, é mal de forma autoevidente. Quando criança, Amy não começou a vida como uma pessoa abnegada. Ao invés disso, ela tinha o sonho de ser atriz, de ganhar o suficiente para ter uma “casa com belos jardins” e viajar o mundo. Quando ela compartilhava esses sonhos com sua mãe ela repetidamente ouvia que aquilo era “egoísta”. Ela se recorda dos sermões de seus pais: “Se todos fizerem aquilo que querem fazer, que tipo de mundo seria este- As pessoas fariam tudo que quisessem: roubariam, estuprariam, matariam, deixariam seus filhos morrerem de fome – apenas para agradar a si mesmas.” Tornar-se atriz e possuir uma casa com jardins não parecia o mesmo que roubar, estuprar e deixar os filhos morrerem de fome, mas os desejos de Amy de atuar e de possuir uma casa não envolviam viver para os outros. E sentindo-se insegura sobre sua própria competência de pensar sobre questões morais, Amy foi deixada sem armas intelectuais com as quais pudesse desafiar o altruísmo e validar seu direito moral aos seus valores pessoais.

Amy também ouvia que pessoas egoístas não têm capacidade para o amor, a gentileza, a consideração, a compaixão ou a generosidade (consulte Smith, 2006, para uma refutação). Essa é outra falsidade comum (que nós trataremos a seguir) que faz as Amys do mundo aceitarem o código do altruísmo. Ela valorizava amor e gentileza, e assim, ao longo do tempo, estudar para ser atriz permaneceu um sonho não realizado – empurrado para as profundezas do seu subconsciente como um pensamento egoísta que não deve ser admitido.

A contradição do altruísmo

Há uma contradição não admitida no código do altruísmo. Se é certo se sacrificar para os outros, não é egoísmo desses outros aceitar o sacrifício- Não deveriam eles, por sua vez, sacrificar-se para os outros e assim por diante, infinitamente, resultando assim em ninguém recebendo aquilo que quer- Uma resposta frequente para esse dilema é que aqueles que são racionais, competentes, produtivos e bem sucedidos devem se sacrificar para aqueles que não são. Isso significa que quanto mais bem sucedido você for, mais você se tornará escravo dos outros – o que significa que as ações que promovem a sua vida (por exemplo, ser criativo e produtivo, conseguir uma boa educação) trabalham contra sua própria vida.

O que é o seu “ego” e como o altruísmo o destrói

A nossa primeira experiência do ego ocorre quando inicialmente tomamos ciência de algo “lá fora” no mundo em contraste ao “aqui dentro”, em nossa mente – quando percebemos que nossa consciência está à parte da existência. Sem usar palavras, compreendemos que: “É necessário um ato de consciência para estar ciente de tudo isto (por exemplo, esta sala) e que sou eu, minha consciência, que está executando o ato” (Rand, 1990, p. 255). A experiência do ego está apenas implícita em uma criança nos seus primeiros anos de vida. Apenas mais tarde compreende-se conceitualmente que “Eu sou eu, distinto do mundo lá fora”. Gradualmente, o conceito de si mesmo expande-se. Em geral, o ego refere-se a todo aspecto de uma determinada pessoa: todo o seu físico e características da personalidade, todas as suas ideias, crenças e valores, todos os seus hábitos e preferências, todas as suas premissas conscientes e subconscientes, todas as suas experiências, memórias e habilidades. (O ego real da pessoa pode ou não pode corresponder à sua autoimagem, que é o modo como ela vê a si mesma).

De forma mais fundamental, o seu ego é a sua mente racional (Peikoff, 1991). A princípio é a sua mente que faz as escolhas e ações que governam a sua vida. Mas o altruísmo diz que a sua mente não é para você; o que você pensa para si mesmo não tem relevância moral. O altruísmo declara guerra contra você ao afirmar que a sua mente (e corpo) pertence aos outros – que o seu julgamento independente, suas escolhas do que você quer e do que você valoriza não são atos morais – que são, de fato, imorais. De acordo com o código do autossacrifício, o único uso correto da sua mente é descobrir o que os outros querem e agir concordantemente. Assim, o seu ego é suprimido por princípio. O altruísmo leva à autoimolação.

O que é autoestima e como o altruísmo a destrói

Autoestima é um julgamento que alguém faz de si mesmo. É a própria estimativa da própria aptidão de viver e de ser digno de viver. (Locke, 2006-7). No que se baseia a autoestima- Citando Rand (1961, p. 128), “Autoestima é a certeza inviolada [do homem] de que a sua mente é competente para pensar e de que a sua pessoa é digna de felicidade, o que significa: é digna de viver”.

Autoestima é uma profunda necessidade psicológica. O homem não pode tolerar a convicção de que ele não é bom; a prova disso é que as pessoas que não possuem genuína autoestima erguem defesas elaboradas contra sentimentos de autodúvida ou autodesprezo (Locke 2006-7). Sentir que você não tem valor ou que é “errado” enquanto pessoa é intoleravelmente doloroso. Sem alguma sensação de autoestima, as pessoas estão arriscadas a se suicidar ou a ficar insanas. Sentir-se merecedor de felicidade é um ato egoísta; você está atribuindo valor a si mesmo.

O altruísmo destrói a autoestima pela raiz. Ele diz que enquanto um indivíduo à parte você não tem valor. O filósofo que mais abertamente atacou a autoestima foi Imannuel Kant. Kant considerava o amor próprio “a própria fonte do mal” (citado em Peikoff, 1982, p. 78). Capitular ao amor próprio era “perversidade (a perversidade do coração humano) que secretamente enfraquece a disposição [moral] com princípios destruidores da alma” (Idem). Kant pregava o autossacrifício inflexível. O homem ideal é “uma pessoa que estaria disposta a não apenas cumprir ele mesmo todos os deveres humanos. mas mesmo quando atraído pelos maiores encantos, aceitar contra si mesmo todas as aflições, até a morte mais ignominiosa.” (Peikoff, 192, p.80). O próprio Kant não pregava o altruísmo literal, não o sacrifício para alguém, mas o sacrifício pelo sacrifício.

Kant argumenta:

“É um dever preservar a própria vida e, além do mais, todos tem uma inclinação direta para fazê-lo. Mas por essa razão o cuidado normalmente ansioso com o qual a maioria dos homens cuida disso não tem mérito intrínseco, e a máxima de agir assim não têm significação moral. Mas se adversidades e sofrimentos pesarosos retirarem completamente o gosto pela vida, se um homem infeliz, forte de alma, ao invés de desanimado e abatido com o seu destino, sentir-se revoltado e desejar a morte, e contudo preservar sua vida, sem amá-la por inclinação, nem por medo, mas pelo dever – então sua máxima tem significação moral.” (citado em Peikoff, 1982, pp. 73-4)

Os seguidores de Kant logo encontraram beneficiários para os sacrifícios: ou outros ou a sociedade. O altruísmo deixa claro: você é nada – os outros são tudo. Como notado anteriormente, ninguém poderia viver de forma consistente através do código moral do puro sacrifício de Kant: o sacrifício em prol do sacrifício – ou o sacrifício em prol dos outros.

Vamos tomar o exemplo de Mary, uma mulher de 30 anos que cuida de sua mãe hipocondríaca. Mary se sente muito culpada ao planejar desesperadamente necessárias férias românticas no Caribe com o seu novo namorado. Ela não consegue dizer “Eu quero tirar férias”, sem ter que esconder seu desejo na forma de um dever “Meu médico disse que eu tenho que sair de férias para que eu possa cuidar de minha mãe melhor”. Quando ela está de férias, seu proveito é seriamente prejudicado – que direito ela tem de se divertir quando sua mãe precisa dela- Seu namorado não consegue entender por que ela não consegue “relaxar e curtir”. Ela sente que há algo fundamentalmente errado com ela – ela se sente amargurada quando se sacrifica para a sua mãe ingrata (ou para os outros). Ela sente um crescente ódio pela mãe, a quem ela “supostamente” deveria amar. Mas sua mãe espera que Mary “esteja lá” para ela. Mary se pergunta: “Por que a vida tem que ser tão difícil”- Ela está dilacerada pelo conflito interno e pela culpa. Ela sente no fundo da consciência que a moralidade é um fardo horrível.

Com a autoestima destruída e substituída pela culpa e pelo conflito, a saúde mental é seriamente prejudicada. A saúde mental requer que você coloque valor em si mesmo e que você viva livre de sérios conflitos conscientes ou subconscientes. Mary sente que ela deve sua vida à sua mãe – e ela secretamente também sente, em seus momentos mais rebeldes, que ela tem algum direito não especificado de aproveitar a vida e sair de férias. Nesse conflito, suas premissas altruístas superam suas premissas racionais, autovalorizadoras, porque ela não consegue defender moralmente o seu próprio interesse. Ela sente culpa, não alegria, em suas “férias”.

A felicidade requer a conquista de valores. Como o altruísmo prejudica os valores

Valores são coisas que você quer, coisas que você considera boas e benéficas, coisas que você acredita que o farão feliz. O altruísmo declara que os únicos valores (moralmente) legítimos são os valores dos outros. O que eles querem é o que conta; o que você quer para você mesmo não. Se você tem valores pessoais, eles têm que ser sacrificados. O estado ideal é aquele de completa privação pessoal, um estado de vazio, exceto por um absoluto: os outros. Isso é chamado de abnegação – um estado que tradicionalmente atrai os maiores elogios morais. Note o culto pelos santos e mártires ao longo da história.

Na realidade, entretanto, a felicidade requer que você persiga e conquiste seus valores pessoais, mas, sob o altruísmo, isso não é ético. No máximo, como observado, os altruístas permitem alguns valores pessoais em suas vidas, sentem-se culpados por isso e então trabalham para agradar os outros a fim de aliviar a culpa. Desde que os outros provavelmente não serão recíprocos (por exemplo, a mãe de Mary), sentimentos de mágoa, injustiça e martírio aparecerão, mas serão suprimidos ou reprimidos.

O que o dever altruísta faz com a própria motivação- Citando Rand (1970, p.866):

“O “dever” destrói os valores: ele exige a traição e o sacrifício dos valores pessoais mais elevados em prol de um mandamento inexplicável – e ele transforma os valores em uma ameaça ao próprio valor moral, desde que a sensação de prazer ou desejo lança dúvidas na pureza dos nossos motivos.”

O altruísmo não exige morte imediata – isso impediria que alguém vivesse para os outros. O que ele exige é o estado de um morto vivo, no qual a ação está divorciada de valores pessoais e de prazer pessoal, ação focada apenas no que os outros querem ou necessitam. Se o altruísmo é autodestrutivo, então qual é a alternativa saudável- O egoísmo. Mas o que significa egoísmo- Significa egoísmo racional.


Este artigo foi publicado originalmente em Handbook of Managerial Behavior and Occupational Health, editado por A. G. Antoniou, C. L. Cooper, G. P. Chrousos, C. D. Spielberger, & M. W. Eysenck, (Edward Elgar, Northampton, MA, 2009). A publicação deste artigo no Objetivista.com foi autorizada expressamente pelos autores.

Drº Edwin A. Locke é Professor Emérito de Motivação e Liderança da Universidade de Maryland, College Park. É internacionalmente conhecido pela Teoria do Estabelecimento de Metas que ajudou a desenvolver. Ele praticou psicoterapia em tempo parcial durante quinze anos. http://www.edwinlocke.com/

Drª Ellen Kenner é psicóloga clínica particular e lecionou os cursos Introdução à Psicologia, Transtornos Psicológicos e Teorias da Personalidade em nível universitário. Ela apresenta o programa de rádio “The Rational Basis of Happiness” (A Base Racional da Felicidade) – http://drkenner.com.

Eles são autores de The Selfish Path to Romance – How To Love With Passion and Reason (A Trilha Egoísta Para O Romance – Como Amar Com Paixão e Emoção) inspirado nas ideias de Ayn Rand.

Leia a Parte II.

Referências

Binswanger, H. (1991). Volition as cognitive self-regulation. Organizational behavior and human decision processes, 50: 154-178.

Locke, E. A. (2006-7) The educational, psychological and philosophical assault on selfesteem. The Objective Standard, 1, (4), 65-82.

Peikoff, L. (1982) The ominous parallels. New York: Stein & Day.

Peikoff, L. (1991) Objectivism: The philosophy of Ayn Rand. New York: Dutton.

Rand, A. (1961) For the new intellectual. New York: Signet.

Rand, A. (1964) The virtue of selfishness. New York: Signet.

Rand A. (1970) Causality vs. duty, The Objectivist. July, 1970 (reimpresso em The Intellectual Activist, New York, 1986, pp. 865-870).

Rand, A. (1990) Introduction to Objectivist epistemology, 2ª edição. New York: NAL books.

Rand. A. (1992) Atlas shrugged. New York: Signet.

Smith, T. (2006) Ayn Rand”s normative ethics: The virtuous egoist. Cambridge, UK: Oxford.