Uma prova simples e modesta da existência do livre-arbítrio

Wanderley Caloni

2017/05/28

Uma prova simples e modesta do livre-arbítrio, ou pelo menos que refute o “determinismo duro” (que não admite nenhuma possibilidade de alternativas na ação) é dada pelo filósofo Michael Huemer através de 7 premissas e uma conclusão:

  1. A respeito do livre arbítrio, nós devemos sempre evitar acreditar no que é falso (racionalmente).
  2. O que deveria ser feito pode ser feito (não se pode fazer o impossível).
  3. Se o determinismo (duro) é verdadeiro, então qualquer coisa que pode ser feita será feita (não há alternativa).
  4. Eu acredito no livre arbítrio (premissa).
  5. Com respeito ao livre arbítrio, nós podemos evitar evitar acreditar no que é falso (de 1,2).
  6. Se o determinismo é verdadeiro, então com respeito ao livre arbítrio, nós evitamos acreditar no que é falso (de 3,5).
  7. Se o determinismo é verdadeiro, então o livre arbítrio é verdadeiro (de 6,8).
  8. O livre arbítrio é verdadeiro

Do original:

  1. With respect to the free-will issue, we should refrain from believing falsehoods. (premise)
  2. Whatever should be done can be done. (premise)
  3. If determinism is true, then whatever can be done, is done. (premise)
  4. I believe MFT. (premise)
  5. With respect to the free-will issue, we can refrain from believing falsehoods. (from 1,2)
  6. If determinism is true, then with respect to the free will issue, we refrain from believing falsehoods. (from 3,5)
  7. If determinism is true, then MFT is true. (from 6,4)
  8. MFT is true. (from 7)

O núcleo do raciocínio é que vemos que se o determinismo é verdadeiro o livre arbítrio é verdadeiro; do contrário evitaríamos acreditar nele. E como de fato alguns de nós acreditam nele (bastaria apenas um), ele é verdadeiro, tornando o determinismo auto-refutável.

Há quatro objeções à lógica aplicada no raciocínio, sendo que algumas delas são interessantes, outras não. Sugiro dar uma lida no original. A mais interessante de todas é a primeira, que afirma a premissa (1) implorar a questão. No entanto, como Huemer desenvolve, a questão só consegue de fato cair na falácia circular de quem desenvolver o raciocínio já assumir que o determinismo é verdadeiro. Porém, se este for o caso, não há abertura para o desenvolvimento racional da questão, que é a própria conclusão final de Huemer. Ao aceitar o determinismo, as premissas básicas da própria lógica não podem ser aceitas, já que os conceitos de falso e verdadeiro são inúteis.

E esse é um ótimo motivo para acreditar em livre arbítrio.

Fonte: http://www.owl232.net/fwill.htm.