A Garota Que Conquistou O Tempo

Caloni, April 22, 2019

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Netflix, fui tapeado! Pensei que iria ver uma animação sobre viagem no tempo no estilo Steins;Gate e acabei vendo um filme de menininha japonesa. Com quem devo ficar? Oh, meu deus, de quem será que eu gosto? Este também é um filme sobre uma pessoa que volta no tempo apenas para comer seu pudim antes da irmã.

A animação em si é consistente e agradável, embora nada original. Foca mais nas formas e possui a paleta típica de animações dos estúdios Ghibli (de Hayao Miyazaki). Quando os personagens estão longe não vemos suas faces. E há um quê de Makito Shinkai (do sucesso pop adolescente Your Name) quando vemos a jovem Riisa saltando em câmera lenta ou em um still para fazer o pôster do filme.

Mas este é um filme do diretor japonês Mamoru Hosoda, de quem a Netflix comprou um pacote de filmes para mostrar em seu serviço de streaming. Este já é um filme “velho”, de 2006. Dele você também irá encontrar Crianças Lobo, Mirai e… Digimon: O Filme? Espero que não.

A história é simples e reutiliza elementos porque este é um filme sobre viagem no tempo. Uma garota entra no laboratório do colégio e é afetada por um dispositivo que ela não percebeu do seu lado que possibilita a ela realizar saltos no tempo. Ela usa pela primeira vez para salvar a própria vida quando é lançada em frente a um trem porque os japoneses passaram o trilho de um trem entre duas subidas íngremes no meio da cidade, aparentemente na esperança de filmar mortes bizarras. A segunda vez que ela usa é para comer o pudim na frente da irmã.

E não melhora. Centrado em um relacionamento da jovem com dois garotos com quem joga beisebol, os detalhes da trama você vai ouvindo de um ou outro personagem no meio dessa história que parece preparada para virar série (já tem até música-tema). Quando a garota descobre que um dos garotos está afim dela e a convida para sair ela decide voltar no tempo várias vezes até que ele não a convide mais em vez de simplesmente falar não. Isso tem muito mais a dizer sobre a cultura japonesa, mas pode também querer dizer algo interessante como tentamos de toda forma as situações difíceis da vida.

Mas momentos como esses são apenas lapsos em uma historinha convencional que sequer precisaria de um elemento de sci-fi. O dispositivo de viajar no tempo parece mais uma muleta narrativa e uma forma da jovem Riisa saltar de várias maneiras diferentes (e cair também) como mecanismo cômico e de estilo.

Fica bonito, mas não é exatamente profundo. Assista sem prestar atenção.

A Garota Que Conquistou O Tempo ● Toki o kakeru shôjo. Japão, 2006. Dirigido por Mamoru Hosoda, escrito por Satoko Okudera baseado no livro de Yasutaka Tsutsui. Com Riisa Naka, Takuya Ishida, Mitsutaka Itakura. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-04-22. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?