A Mulher de Preto

Caloni, March 4, 2012

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Vamos falar primeiro sobre a fotografia: ela é escura, até demais, mas consegue criar tomadas internas que estabelecem com primor um clima tanto de luz natural (muito pouca), quanto de fantasia. E mesmo com tão pouca luz, conseguimos enxergar toda a ação ou falta dela. Existem tomadas, por exemplo, onde só dá pra ver a face do protagonista, mas graças à ótima lógica geográfica da casa é possível entender a dinâmica da cena.

A história gira em torno de um advogado que precisa preparar os papéis para a venda de uma casa conhecida na região como amaldiçoada (ou seus antigos moradores). Um tema clichê, portanto. Mesmo assim Daniel Radcliffe, dessa vez livre das amarras de seu Harry Potter, consegue uma interpretação dramática que confere peso ao seu não tão complexo personagem. Porém, mesmo assim conseguimos perceber toda a angústia de Arthur Kipps e sua vida de viúvo após sua mulher ter morrido durante o parto de seu único filhos. Mesmo assim sua caracterização me pareceu talvez dramático demais para o projeto, que brinca com sustos forçados e exposições além do razoável.

O que pode ser um problema recente na filmografia de terrores hollywoodianos, e que justamente aqui funciona exatamente ao contrário: as melhores sequências de tensão ocorrem justamente onde não existe exposição demasiada, como em uma determinada cena em que o protagonista procura pela figura de um vulto em um quarto vazio e a câmera vai revelando aos poucos o que ironicamente já sabíamos: não há nada no quarto.

Comprometido apenas pela fraca história, o design de arte impressiona, principalmente na casa onde desenrola-se a maior parte da história. Os elementos que lembram a figura infantil, ironica e de forma significativa, são os que dão mais medo, e é tão cômico quanto trágico (um traço curiosamente de Stephen King) a forma como a dona da casa substitui a ausência de crianças em sua vida.

Me fez pensar que as cenas de susto forçado não devem funcionar mesmo sem o aumento do som, pois é um recurso batido usado até mesmo nesse filme que pode-se considerar mais drama que terror. Por outro lado, olhe em volta e perceba a qualidade dos espectadores dos dias de hoje para perceber como cada vez mais o terror deve ficar mais óbvio e, portanto, menos aterrorizante.

A Mulher de Preto ● A Mulher de Preto. The Woman in Black (UK, 2012). Dirigido por James Watkins. Escrito por Susan Hill, Jane Goldman. Com Emma Shorey, Molly Harmon, Ellisa Walker-Reid, Sophie Stuckey, Daniel Radcliffe, Misha Handley, Jessica Raine, Roger Allam, Lucy May Barker. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2012-03-04. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?