Alice no País das Maravilhas (1951)

Caloni, November 13, 2011

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Tantos roteiristas, tantos adiamentos e tanta dúvida sobre se esse projeto seria viável valeram a pena. A versão de Alice de 1951, conduzida por perto pelo próprio Walt Disney, é irretocável do começo ao fim. É o tipo de filme que encanta por nunca ter envelhecido, de fato, e pela sua riqueza nos detalhes visíveis e invisíveis.

A história todos conhecem: Alice é uma menina que encontra um coelho de relógio e entra em sua toca. Lá dentro, conhece todo o tipo de criaturas bizarras e aparentemente insanas. A condução é feita através de muitas rimas, poesia e música. As rimas não ficam apenas nos diálogos: há rimas visuais, criadas nos contornos dos seus personagens ou no uso significativo de suas cores, ou até mesmo em sua natureza.

Porém, o que realmente impressiona é a criatividade infinita do projeto, que utiliza elementos conhecidos e os reinventa com uma facilidade e com uma riqueza de movimentos invejável até para os dias de hoje. A passagem que melhor representa isso é o jardim das flores que, embalado por uma das melhores músicas da já memorável trilha sonora, apresenta cada tipo de flor com uma personalidade baseada em sua cor e seu formato, e o fato de vermos uma delas descansando em uma rede feita de teia de aranha sintetiza essa magia criada pelas mentes insanas daquela época.

Os personagens e as situações, dessa forma, nunca cansam, mas apenas agregam mais ainda à riqueza do mundo visitado por Alice, que possui sua própria forma de funcionar, inclusive com uma rainha que remete diretamente às cartas do baralho.

Com uma conclusão precipitada, mas que ainda condiz com a lógica interna do seu roteiro, Alice o seu mundo podem ser revisitados diversas vezes, e não soará por demais repetitivo ou até velho. Considerando que estamos falando de um filme da metade do século passado, isso é muito significativo para o Cinema.

Revisita

Depois de tantos atrasos e revisitas, o projeto de Disney de filmar o clássico de Lewis Carroll finalmente saiu do papel em grande estilo. Mesmo visto diversas vezes, sempre é possível aprender novas ideias e estabelecer novos conceitos sobre o que é Alice e o mundo onde ela foi parar. E, mesmo que não, só as cantorias, os movimentos, as cores e a forma de apresentar os seus personagens vale a revisita.

Alice é o filme favorito de minha sobrinha, e um dos meus favoritos da cinegrafia Disney. Suas cores, seu humor, seu movimento e sua música formam um conjunto completo de experiências que conseguem sempre nos puxar mais e mais para dentro do seu mundo. Não é à toa que adultos e crianças concordem com isso.

Alice no País das Maravilhas (1951) ● Alice no País das Maravilhas. Alice in Wonderland (USA, 1951). Dirigido por Clyde Geronimi, Wilfred Jackson, Hamilton Luske. Escrito por Lewis Carroll, Winston Hibler, Ted Sears, Bill Peet, Erdman Penner, Joe Rinaldi, Milt Banta, William Cottrell, Dick Kelsey. Com Kathryn Beaumont, Ed Wynn, Richard Haydn, Sterling Holloway, Jerry Colonna, Verna Felton, J. Pat O'Malley, Bill Thompson, Heather Angel. ● Nota: 5/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-11-13. Revisto em 2013. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?