Beetlejuice: Os Fantasmas Se Divertem

Caloni, March 6, 2019

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Se vocês assistiram Uma Aventura Lego 2 recentemente, podem confiar na opinião do Batman: Michael Keaton está ótimo em Beetlejuice.

Já como o filme, o que dizer? É o Tim Burtiniano de sempre, seja nos anos 80, 90 ou 2000: cheio de gadgets visuais que não impressionam mais, mas cumprem seu papel. Alguém estica a cara e fica com olhos gigantes, arrancando seus globos oculares e grudando-os multiplicados nos dedos das mãos. É uma visão sintetizadora do poder de imaginação do cineasta.

Os personagens de Alec Baldwin (magrinho…) e Geena Davis (onde foi parar?) são adoráveis nos primeiros cinco minutos, morrem e dão lugar ao show de horrores quando a casa é comprada por uma família desagradável onde a que seria a mais desagradável de todas, interpretada pela sempre mocinha Winona Ryder, acaba se tornando os nossos olhos em meio à canastrice e ao mau gosto. Como essa menina foi parar nessa família? Alguns personagens soam canastrões e excessivamente caricatos demais, como Glenn Shadix como o repulsivo Otho.

Tudo vai acontecendo muito rápido para que não pensemos demais. É o mundo dos vivos enxergado pelos mortos, e o mundo dos mortos é divertido à sua maneira. O filme peca talvez pela falta de expandir o seu mundo, mas por outro lado ele permite que nos concentremos no problema central: expulsar as visitas mal-vindas da casa. O que vemos do além é apenas amostra grátis de outros trabalhos de Burton, como produtor ou diretor: A Noiva Cadáver, O Estranho Mundo de Jack, Frankenweenie… a morte sempre esteve na mente gótica de um idealizador mais preocupado em cores e direção de arte que sua narrativa.

A trilha sonora de Danny Elfman é um exagero tão bizarro de comédia que é como se o filme nunca fosse cair de fato no terror involuntário e assustar as crianças. Pude assistir tranquilamente a todas as cenas com minhas sobrinhas de 11 e 10 anos, apesar do velho safado do Betelgeuse ter caído em um inferninho na maquete onde vive. Algumas coisas não é preciso explicar para os mais novos. Outras é melhor nem tentar.

Michael Keaton é a melhor coisa do filme. À vontade e empolgado, sua participação teria sido afetada negativamente se houvesse maquiagem e truques visuais demais. Quando vemos a face de Keaton e seu lado canastrão é como se valesse esperar por todas as brincadeirinhas inocentes do resto do elenco. Ele é um anti-herói, um dos primeiros, e vem com sangue nos olhos.

Tim Burton percorre esse tema quase sempre de olho no contraste em como o mundo dos vivos é tão sem graça. A Noiva Cadáver é a síntese disso, mas Edward Mãos de Tesoura, por exemplo, explora o esquisito como algo fascinante em meio a uma rua onde o American Way of Life não é apenas desinteressante, mas opressor. É esse empurrãozinho rumo ao sobrenatural que vira o sopor de vida para trabalhos ambiciosos tematicamente. E mesmo que na narrativa fiquemos patinando de um lado para o outro, quem não gosta de variar de vez em quando? Quem não gostaria de morrer em um fim de semana para saber como é?

Beetlejuice: Os Fantasmas Se Divertem ● Beetlejuice. EUA, 1988. Dirigido por Tim Burton, escrito por Michael McDowell, Warren Skaaren e Larry Wilson. Com Alec Baldwin, Geena Davis, Michael Keaton, Winona Ryder. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-03-06. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?