Deixe-me Entrar

Caloni, February 17, 2011

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Apesar de ser um remake, e os diálogos, os cenários e muitos ângulos se assemelharem ao original sueco de 2008, o filme estabelece seu próprio estilo baseado principalmente na trilha sonora, na fotografia e na maneira peculiar do diretor Matt Reeves contar um romance-terror entre dois jovens. Eu diria mais: o filme, do ponto de vista estético, empolga em um nível suficiente para renovar o defasado gênero de terror.

A trilha sonora, por exemplo, segue o ritmo das descobertas de Owen, o garotinho solitário de pais divorciados que costuma cantarolar no deserto playground do prédio onde mora, acerca de sua nova amizade, Abby, uma menina que aparenta ter sua idade e muitos segredos por trás do seu jeito estranho de se relacionar. Essa estranheza mais uma vez é destacada pela música, que aos poucos transforma suas notas nas combinações clássicas de terror dos anos 80.

Já a fotografia não poderia ser mais adequada para a história que conta. Com tons sombrios, e inclusive personagens que surgem das sombras ou vimos apenas a silhueta, a iluminação praticamente escancara o estado de espírito das duas crianças e, inclusive, da própria cidade, que parece viver um período turbulento de assassinatos.

Com uma direção sincronizada com a direção de arte, que compõe elementos nos cenários que por si só já explicam muito mais que os econômicos diálogos, temos um terror mais sombrio do que se fosse explicado verbalmente. (Quando vemos Owen olhar para a foto da pequena Abby, por exemplo, muitos sentimentos e pensamentos vem à mente do espectador. E isso sem nenhuma fala.)

No entanto, a cena que mais gosto é quando Abby abraça Owen por trás, em um enquadramento que poderia muito bem resumir toda a trama de forma impecável. As participações sensíveis dos atores-mirins Kodi Smith-McPhee (Owen) e Chloe Moretz (Abby) tornam a experiência mais rica possível. E é muito bom rever Hit-Girl (Kick-Ass) de volta à ativa.

Com a única cena insuperável no original sendo a conclusão na piscina (que no original consegue um ângulo e iluminação em que podemos “ver” toda a ação se desenrolando de um único ponto de vista), o novo Deixe-me Entrar surge como uma prova de que não devemos ter preconceitos quanto aos remakes americanos de filmes falados em outro idioma. Ainda que de vez em quando assistamos pavorosas produções.

Deixe-me Entrar ● Deixe-me Entrar. Let Me In (UK, 2010). Dirigido por Matt Reeves. Escrito por Matt Reeves, John Ajvide Lindqvist, John Ajvide Lindqvist. Com Kodi Smit-McPhee, Chloë Grace Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas, Sasha Barrese, Dylan Kenin, Chris Browning, Ritchie Coster. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-02-17. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?