Dois Irmãos

Caloni, October 8, 2010

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O maior mérito da direção deste filme é deixar a história fluir sem interferências, dando vazão a ambas às interpretações, ambas dignas, apesar de gerarem efeitos diversos.

Da irmã, temos raiva pela sua forma de diminuir seu irmão e sempre tentar se elevar, mas também dó de suas tentativas patéticas se ofender os outros (como chamar a anfitriã da festa da tia de gorda e de ter inveja dela).

Ele, por outro lado, nos inspira pela sua forma salutar e calma de lidar com os delírios da irmã. No fundo, como deve ser, torcemos por ele; mas, mais ainda, torcemos por ambos.

Inclusive alguns eventos são tratados da forma mais discreta possível: a morte da mãe é demonstrada com um simples fade-out.

E o desdém da irmã com a morte da mãe é tão bem demonstrada com seu último diálogo no dia da morte: “esse velório é um fracasso”.

O irmão se acostumando com a nova morada é mostrada de forma extremamente econômica e eficiente, com poucos cortes, mostrando ele quase sendo atropelado por uma motoneta, e logo depois acenando para a motoneta passando pela mesma rua (ou seja, se acostumou com os moradores e suas manias). Esse “se acostumar” dele é comicamente observado pela irmã: “você virou uruguaio?”.

E sensivelmente, em seu primeiro teste, ele demonstra como pode ser bom ator, e é isso que torna a tentativa da irmã de tirá-lo do teatro tão ofensiva.

Os sussurros nas paredes, em que eles escutam pelos copos, são usados para ambos dizerem verdades (quer dizer, ele dizer). E durante o sono da irmã, ele também pode atacá-la.

Ao final, o quadro belíssimo: agora ambos os irmãos olha o rio do mesmo lado. O que me faz pensar: seria isso uma tentativa de metaforizar a relação argentina-uruguai?

Dois Irmãos ● Dois Irmãos. Dos hermanos (Argentina, 2010). Dirigido por Daniel Burman. Escrito por Daniel Burman, Diego Dubcovsky, Diego Dubcovsky. Com Antonio Gasalla, Graciela Borges, Elena Lucena, Rita Cortese, Osmar Núñez, Gustavo Jalife. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2010-10-08. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?