Ensina-me a Viver

Caloni, November 27, 2011

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Harold é um garoto problemático para sua idade. Obcecado em fingir suicídios e sentindo prazer em frequentar enterros, não possui outra pretensão na vida. Introspecto e de poucas palavras, o uso de músicas existencialistas em torno dos seus atos aprofunda ainda mais seus sentimentos.

Sua própria introspecção e solenidade em seus suicídios encenados criam uma espécie de dubiedade no personagem, pois não sabemos ao certo se rimos pelo humor do absurdo ou escolhemos nos compaceder do jovem que ainda não sabe como aproveitar a vida que possui.

Já Maure, perto dos 80 anos bem vividos, transa bem o fato que está próxima do fim e celebra as transformações do ciclo da vida. Não muito adepta de convenções sociais, se torna uma companhia inusitada, mas tão natural que chega a parecer estranho que nunca tivessem se encontrado ainda nos enterros que ambos frequentam.

Essa dualidade da vida e da morte permeia os 91 minutos do filme e serve de pano de fundo para questões filosóficas sobre o tema que nunca chegam a ser de fato tão relevantes para o roteiro, que se concentra ao máximo para tornar comédia o que obviamente é uma história de drama leve e com boas doses de humor.

Piegas talvez em seu final, mas forte em sua mensagem de amor à vida e a aceitação da morte como um evento natural que devemos igualmente celebrar, Ensina-me a Viver não chega a ser tão notável quanto poderia ser se esquecesse sua missão de parecer engraçado; em muitos momentos ele simplesmente não é, e é isso que o torna um trabalho mais relevante.

Ensina-me a Viver ● Ensina-me a Viver. Harold and Maude (USA, 1971). Dirigido por Hal Ashby. Escrito por Colin Higgins. Com Ruth Gordon, Bud Cort, Vivian Pickles, Cyril Cusack, Charles Tyner, Ellen Geer, Eric Christmas, G. Wood, Judy Engles. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-11-27. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?