Eu, Eu Mesmo e Irene

Caloni, February 15, 2019

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Não considero Eu, Eu Mesmo e Irene um bom filme. Não é um bom exemplo dos irmãos Farrelly (Débi & Lóide: Dois Idiotas em Apuros, Quem Vai Ficar com Mary, Passe Livre. Seu roteiro não foi bem trabalhado e depende de um narrador e situações inusitadas demais para juntar seus personagens. Mas algo que me incomoda: se ele nem é tão bom porque consigo me lembrar de praticamente todos seus momentos?

Isso se deve a uma sensibilidade ímpar do que faz uma comédia humana mesmo que caricata. Rimos menos da situação do personagem de Jim Carrey, uma pessoa traumatizada que acaba revelando um alter ego bad boy Hank. Ele e sua parceira amorosa eventual Irene (Renée Zellweger, de O Diário de Bridget Jones). Porém, antes disso o filme nos amarra em uma família que é puro amor e afeto apesar das diversidades. Essa família é formada pelo simpático policial rodoviário Charlie e os três filhos que adotou de sua ex-mulher e amante. É na capacidade dos irmão Farrelly de tornar essa família tão importante para o road movie que o transforma em algo mais do que um pastelão sem sentimentos.

E em cima disso há uma história pouco plausível envolvendo gângsters, uma polícia corrupta e um rapaz traumatizado por nunca mais tomar as rédeas de sua vida e que desenvolveu uma segunda personalidade que convenientemente aparece para nos fazer rir ou tirar das situações que ele próprio se colocou. É um filme com vários momentos inesperados porque ninguém espera que as duas personalidades do nosso herói seja tão incompetente. É um filme que não se preocupa em não soar politicamente incorreto ao brincar com um albino porque ele tem um coração maior que essas piadas pequenas.

E por tudo isso é possível assistir e reassitir a “Eu, Eu Mesmo e Irene” e ainda gostar, sem sair com gosto ruim da boca como tantas comédias sem pé nem cabeça. Para você ver o valor que há em um filme que mesmo sem cérebro é cheio de coração.

Eu, Eu Mesmo e Irene ● Me, Myself & Irene é um filme dos EUA de 2000, filmado em Rhode Island com um estilo americano feito pelos irmãos diretores e roteiristas Bobby Farrelly e Peter Farrelly (Mike Cerrone ajudou a escrever). É doce e engraçado. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-02-15. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?