Missão Impossível: 3

Caloni, March 18, 2019

External image

Esse é o meu M:I favorito. Ele como filme de ação nunca se deixa de levar a sério pelas consequências de suas ações. Ele possui uma fotografia sisuda de Dan Mindel, dessas de drama, porque ela fala sobre perdas humanas como se elas fossem reais, e o impacto delas é sentido durante todo o filme. Esse também é a estreia de J. J. Abrams na direção de longas-metragens, e ele está ótimo em conseguir orquestrar três equipes distintas localizadas em três cantos equidistantes do planeta (EUA, China, Itália). E, por fim, esse é um filme onde os efeitos em sua maioria são feitos na vida real e não dentro de computadores. Tom Cruise é um maníaco que dispensa dublês, e sua energia é a única vantagem de ter ele no elenco.

Já como produtor, indispensável. Tom entrega um conteúdo de primeira: uma série de TV reciclada que rediscute filmes de espionagens/ação e com isso recicla também o gênero no Cinema. Teve seus deslizes, como M:I 2, mas em M:I 3 ele tem seu grande momento para brilhar. Seis anos depois do filme anterior é uma homenagem aos filmes de ação e um exemplo a ser seguido no futuro.

Praticamente não há tempo para pensar durante o filme inteiro. Uma cena de ação se engancha na próxima, e na próxima, e na próxima. Os momentos de pausa são para absorvermos tudo que está acontecendo, quais podem ser as implicações, quem é o vilão nessa história e o que fazer para salvar a garota. Simples e eficiente.

A garota no caso é deusa Michelle Monaghan, que faz Julia, noiva de Ethan Hunt, que quer ter uma vida pessoal. Luther (Ving Rhames) constantemente avisa o amigo que essa não é uma ideia nada boa, caso ele ainda não tenha percebido que no primeiro filme seus pais foram usados para controlá-lo a distância. O que será dele quando tiver uma esposa? E o pior: o que será dela?

O vilão básico nesse filme é interpretado por ninguém menos que Philip Seymour Hoffman, e essa não é a única boa novidade no elenco. Simon Pegg chega como o elétrico Benji. Ambos possuem quase que apenas pontas, mas são os que mais nos lembramos. Seymour Hoffman, grande ator de sua geração (e uma perda para o Cinema), é a escolha certa: discreto, mas visceral em cada momento que abre a boca.

Ele é, como falei, o vilão básico, pois esse é o primeiro M:I pós-1109, o atentado terrorista que colocou os EUA de ponta-cabeça. O mundo naquela época estava mudando, e o Cinema foi junto. Agora tudo gira em torno do terrorismo e principalmente da guerra contra o terror. O governo americano está apodrecendo por dentro e o conceito de bem e mal começa a se desmanchar quando seu país começa a transformar outros Estados destruindo algumas vidas pelo caminho. Para um filme de ação estar engajado nesse novo panorama socio-econômico seria pedir demais, mas o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Abrams entrega justamente isso. E é brilhante em seu discurso de reviravolta.

Editado como uma obra-prima de compilação de ação frenética sem nos perdermos nos detalhes e filmado com uma câmera que está sempre interessada em obter a melhor tomada para cada frame que se passa na tela, “Missão Impossível: 3” é um pequeno mas eficaz exemplo que é possível realizar filmes de ação com cérebro e coração. E esse é meu filme favorito da série em ambos os quesitos.

Missão Impossível: 3 ● Mission: Impossible III. EUA, Alemanha, China, Itália, 2006. Dirigido por J.J. Abrams, escrito por Alex Kurtzman, Roberto Orci e Abrams. Com Tom Cruise, Michelle Monaghan, Ving Rhames, Philip Seymour Hoffman, Billy Crudup, Simon Pegg. ● Nota: 5/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-03-18. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?