Mulher Nota Mil

Caloni, August 22, 2011

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Mulher Nota Mil representa precisamente a época em que foi produzido, bem no meio da década de 80. E, ao mesmo tempo, serve como um belo reflexo de produções recentes, como American Pie, que demonstram que no que tange à síndrome dos garotos impopulares que nunca conseguem namoradas no colégio, o cinema não avançou quase nada: foi apenas atualizado para os padrões modernos.

Não há dúvida que o filme é datado. Todos os símbolos da época estão lá: músicas, penteados, fotografia. Há uma visão dos pais antiquados, e o exagero nas expressões (mesmo se tratando de uma comédia). Os poderes do computador são usados para erotizar a história, mas, diferente de roteiros dignos de nota como Jogos de Guerra, o resultado é muito tosco e limitado. A trilha sonora sem imaginação homenageia clássicos dos anos 70 e início de 80. A maioria das cena são bordões usados à exaustão. Praticamente nada sobrevive do filme hoje em dia. É um documentário do que era cinema, sem dúvida. Porém, ainda de muito mal gosto.

O filme começa com Gary (Michael Hall, Clube dos Cinco) e Wyatt (Mitchell-Smith, que não teve tanta sorte quanto o colega) observando as meninas do seu colégio fazendo ginástica, em um estado pueril de êxtase. Logo acordam para a realidade: são nerds/impopulares (nunca fica muito claro) e nunca conseguiriam atrair a atenção feminina. Assistindo a uma versão trash de Frankenstein, porém, têm a brilhante (?) ideia de simular uma mulher no computador para aliviar seus impulsos pueris. Porém, para que ela seja criada de acordo, precisam invadir um sistema com computadores mais potentes (a parte que descreve a invasão vai lembrar muitos da visão transcontextualizada de Hackers). Porém, algo sai do controle e, no meio do ritual que planejam para o feito (com direito a colocar sutiãs na cabeça), acabam criando uma mulher de carne e osso que (adivinha?) realiza todos os desejos de ambos como num passe de mágica.

A partir daí, somos levados para uma infinidade de situações engraçadas que entretem ao mesmo tempo que nos fazem esquecer ou lembrar de todo o disparate da história. O objetivo maior, pelo jeito, é chamar a atenção para a ação e esquecer a lógica. (Pelo menos é coerente com seu início, pois o que estavam fazendo ao observar as meninas não foge muito de fantasiar situações em que nunca estariam.),

A ação e o absurdos crescem em uníssono, a ponto de em dado momento ser inserido no filme uma gangue de mutantes arruaceiros em cima de motos (Mad Max?). Nesse momento, somos capazes de perceber a mente tresloucada de John Hughes, que assina a direção e o roteiro do filme. O próprio Hughes dirigiu na época Curtindo a Vida Adoidado e o Clube dos Cinco, o que me faz desconfiar que este era um projeto bem mais experimental.

Apesar de não passar do teste dos 15 anos, fica claro que este era o exemplo de filmes de “desligar o cérebro”. E se serviu para a efervescência criativa de John Hughes, que depois escreveria grandes aventuras como Esqueceram de Mim, Beethoven, Dennis - O Pimentinha e 101 Dálmatas, podemos estar certos de que este era o primeiro de muitos.

Mulher Nota Mil ● Mulher Nota Mil. Weird Science (USA, 1985). Dirigido por John Hughes. Escrito por John Hughes. Com Anthony Michael Hall, Kelly LeBrock, Ilan Mitchell-Smith, Bill Paxton, Suzanne Snyder, Judie Aronson, Robert Downey Jr., Robert Rusler, Vernon Wells. ● Nota: 2/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-08-22. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?