Nova York, Eu Te Amo

Caloni, March 17, 2019

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Todas as comédias românticas americanas se passam em Nova York. Todos os romances se passam em Nova York. Toda a carreira de Woody Allen antes das duas últimas décadas se passa em Nova York (OK, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa não). Logo, ou “por quê??”, que tal mais um filme onde histórias se entrelaçam, só que dessa vez em Nova York?

Essa cidade significa muito para os americanos. É a cidade com menos americanos na América. Também é a única com alguma personalidade que é fácil de lembrar, diferente de todas as outras cidades e estados americanos em que todos insistem que possuem suas particularidades. Não importa. Nova York é a única realmente globalizada, com uma cara de cidade do mundo moderno e portanto com uma, duas, vinte, infinitas histórias para contar.

Da mesma forma com que foi feito em “Paris, Te Amo” esse “Nova York, Eu Te Amo” (que nome original) reúne diversos realizadores em torno de pequenas histórias, com a diferença que nesse caso elas se cruzam e se consolidam, em uma espécie de “Simplesmente Amor” mais poético, mais gráfico. Esse filme é uma pincelada geral na cidade e nos seus relacionamentos do dia-a-dia, carregado do característico cinismo e táxis mal-educados. O filme como um monolito se imagina muito progressista e pinta caricaturas como mulheres no Central Park que não imaginam que na cidade mais diversificada do Novo Mundo um negro possa ser pai de uma garotinha loira. Também brinca com a diferença entre as culturas e os muros (sagrados) invisíveis que se colocam entre as pessoas. É um passeio divertido, despretencioso. Quase esquecível.

O fato é que a maioria das ideias funciona maravilhosamente bem porque são intensas o suficiente para chamar a atenção e não necessitam de muito tempo de tela para impregnar algum sentimento, reflexão ou raciocínio em cima do que está sendo proposto. Eu diria que mais tempo de tela estragaria boa parte dessas ideias, e justamente a necessidade de juntá-las ao final constitui o pior momento do longa.

Mesmo feito de curtas, a sensação é que o tempo não passa, e poderia assistir facilmente mais duas horas de tudo aquilo. Se há um pecado no filme é não conseguir exaurir todas as possibilidades que uma cidade cosmopolita como Nova York proporciona. Ela é tão cosmopolita que nenhuma das formas aceitáveis do nome da cidade para nós, falantes de português, pegou bem. Nem New York (do original), nem Nova Iorque (totalmente traduzido). Assim é Nova York: uma mistura de palavras ao vento. Oportunidades perdidas. As ruas pulsantes de erotismo na mesma intensidade que todos os outros sentimentos. Este filme preferiu focar no romantismo. Que loucura.

Nova York, Eu Te Amo ● New York, I Love You. EUA, 2008. Dirigido por Fatih Akin, Yvan Attal, Randall Balsmeyer, Allen Hughes, Shunji Iwai, Wen Jiang, Shekhar Kapur, Joshua Marston, Mira Nair. Escrito por Hu Hong, Yao Meng, Israel Horovitz, Suketu Mehta, Shunji Iwai, Israel Horovitz, Olivier Lécot, Jeff Nathanson, Xan Cassavetes. Com Hayden Christensen, Andy Garcia, Rachel Bilson, Natalie Portman, Irrfan Khan, Orlando Bloom, Christina Ricci, Maggie Q, Ethan Hawke. ● Nota: 3/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-03-17. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?