Os Mercenários

Caloni, August 13, 2010

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Usando uma steady cam e iniciando no tom de documentário, Os Mercenários traz uma gangue de atores milionários que, em seus devidos personagens unidimensionais, fazem operações de guerra por uns trocados. A primeira cena, aliás, resume bem o que teremos no resto das cenas de ação: muito sangue. Tanto sangue que, no início, vemos o resto da matança através de uma lente de visão noturno, para não afastar de imediato o espectador que ainda verá muitas cabeças explodindo e corpos rolando.

Pior do que sua violência é sua desonestidade no melhor estilo caça-níqueis, pois traz em seu elenco figuras como Bruce Willis e Schwazenegger apenas como bonequinhas de luxo (que, aliás, até serve para uma piada datada “ele quer ser presidente”). Os Mercenários nunca soa realista ou interessante, saindo empolgante em alguns poucos momentos, como a escapada de avião na primeira visita à ilha, onde a explosão final ganha o impacto que merece, ou quando dois capangas da mesma gangue acabam lutando entre si.

Mesmo que digamos que o filme se apresenta como despretensioso, aqui não temos sequer uma trama verossímil para explicar o que move os personagens no massacre final. Primeiro eles são pagos para matar o general da ilha, mas logo depois Stallone decide ir sozinho para libertar a filha dele da situação caótica em que vive seu povo. Só que logo todos seus companheiros resolvem ir junto, o que soa desnecessariamente complicado (eles já não iriam para acabar com a questão?).

Mesmo na cena da escapada inicial da ilha, a fotografia e a velocidade das cenas muda toda hora, nunca nos dando a chance de entrarmos no clima, e sempre usando ângulos originais que mais desviam nossa atenção para o fato que o que estamos vendo é um filme. Ainda entre os pontapés técnicos, a trilha sonora está longe de ser original, usando o já consagrado tema de Jogos Mortais (??). No entanto, os efeitos sonoros são exceção, pois divertem, seja em suas infindáveis explosões ou tiros de armas pesadas.

Outro erro grave de Stallone como diretor reside nos muitos cortes na perseguição de carros que sempre coloca em close a face dos atores, como se houvesse alguma capacidade de interpretação: eles sequer representam! Mesmo assim a ação continua, ainda com ângulos originais, mas que não deixa a gente ver muita coisa. Só deixam ver quando alguma cabeça explode, ou cenas pontuais de luta, nunca em uma continuidade que flua um pouco mais naturalmente.

Fora isso, do começo ao fim do filme todos os membros dos Mercenários parecem lutar no modo God dos jogos de videogame, pois nunca vemos qualquer perigo que eles se machuquem de verdade ou que algum plano deles não dê certo. Tudo parece esquematizado para que sejamos levados até o final da história custe o que custar, e esse custo nem é muito (um raspãozinho aqui, uma unha encravada ali). Mesmo assim, a violência gratuita contra os que não tem nada a ver com isso (os soldados manipulados pelo general que é manipulado pelo ex-cia).

Se sua obsessão por sangue é meramente estética, sexual ou sádica, esse é um filme até que interessante.

Os Mercenários ● Os Mercenários. The Expendables (USA, 2010). Dirigido por Sylvester Stallone. Escrito por Dave Callaham, Sylvester Stallone, Dave Callaham. Com Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié. ● Nota: 2/5. Categoria: movies. Publicado em 2010-08-13. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?