Os Nomes do Amor

Caloni, December 12, 2011

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Ele, um esquerdista especialista em epidemias nos animais. Ela, uma libertária tão libertária que às vezes se esquece de colocar a roupa para sair de casa. Ambos, uma relação que mescla tanto as visões políticas quanto sexuais da França atual. Porém, mais importante, levanta a sensível questão da imigração, que vem engrossando caldo desde o movimento anti-terrorista liderado pelo governo Bush e evidenciado na crise europeia.

Narrando o passado dos pais e avós dos personagens como em entrevistas informais, isso ao mesmo tempo que expõem seus sentimentos, é usado como artifício de engajamento político e explica inclusive o relacionamento social de ambos. Dessa forma, o fato da geração anterior padecer nos campos de concentração ou ter origem estrangeira é motivo para que não se toque nunca no assunto ou se use qualquer expressão que remeta a esse passado. Ao mesmo tempo, o trauma dela de ter sido molestada quando criança, embora na maioria das vezes torna a pessoa quando adulta recatada, adota um aspecto prático e funcional (onde o sexo é usado para conversão política). Distraída ao máximo, é capaz de nunca reparar quando acidentalmente deixa seus peitos de fora (em público) e, embora tenha convicções políticas, acaba sempre votando no pior rival.

Com uma trilha sonora leve, que acompanha o ritmo de seus personagens, e uma fotografia de cores básicas, que remete não apenas às cores da bandeira da França mas também ao uso generalizado de bandeiras no sentido de sempre defendermos nosso ponto de vista, Os Nomes do Amor caminha serenamente pelo seu caminho, sempre ressaltando os absurdos das opiniões extremadas e do racionalismo exacerbado que nos impede muitas vezes de pensar (como a funcionária que conhece a mãe do rapaz por 30 anos, mas se nega a emitir outro documento até que ela comprove cidadania francesa) ou de sentir. O mundo para muitos pode até ser preto e branco, mas o filtro cômico pelo qual o filme nos faz enxergar o comportamento insano das pessoas que pensam assim nos faz concluir que, na prática, o mais sensato é enxergamos a cinza paisagem, mesmo.

Os Nomes do Amor ● Os Nomes do Amor. Le nom des gens (France, 2010). Dirigido por Michel Leclerc. Escrito por Baya Kasmi, Michel Leclerc. Com Jacques Gamblin, Sara Forestier, Zinedine Soualem, Carole Franck, Jacques Boudet, Michèle Moretti, Zakariya Gouram, Julia Vaidis-Bogard, Adrien Stoclet. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2011-12-12. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?