Native Floripa 2018

Sep 28, 2018

O Native Floripa desse ano foi um evento de nerds que adoro e também uma viagem e encontro de nerds (que também adoro). Isso quer dizer que este é um post duplo, onde analiso tanto a viagem quanto o evento.

Como viagem Floripa é uma cidade que se divide em ilha e continente. Na ilha há um emaranhado de rodovias que circulam pelos morros e que se cruzam onde percebemos que a prefeitura não tem o mínimo de cuidado e investimento em fazer conexões decentes. Há dois elevados em obras que facilitaram a transição entre rodovias. Vimos um no caminho do aeroporto para Barra da Lagoa, e o motorista do Uber comentou que está há dez anos em obras, já tendo gasto todo o dinheiro em um amontoado de madeira e concreto inúteis, o que resume o que tenho a dizer sobre a organização da cidade como um todo.

Felizmente o povo do sul é um povo decente, de respeito e que graças a Deus não parece ter dado muita atenção nos movimentos de “justiça social” que assolam o país. Há uma casa de coxinhas muito boa, a Maria Coxinha, onde um dos pratos se chama Kibexinha. Isso é tudo que precisa ser dito sobre a saúde do povo da cidade.

O evento teve lugar, como no ano passado, na Acate, uma incubadora de startups, nos dias 22 e 23 de setembro de 2018 (sábado e domingo). Houve em alguns momentos duas trilhas, que eu condeno por ser um evento pequeno, mas no salão principal houve a filmagem para publicação na internet, que eu invejo, pois logo teremos disponível para todos as palestras da trilha principal. Essa filmagem se torna ainda mais especial quando se percebe que houve muitos poucos participante no evento, girando em torno de 20 no sábado e 10 no domingo. As palestras do ano passado já se encontram publicadas, mas como houve uma demora de alguns meses talvez esse ano teremos a mesma espera.

Confesso que fazia um bom tempo que não participava de um evento como esses. Nossa tentativa de realizar o próximo encontro em sp miou por falta de público em um momento em que C++ está em obras e com discussões importantíssimas sobre a linguagem e bibliotecas necessárias. O Native Floripa atendeu essa necessidade em pelo menos algumas palestras.

O destaque do evento com certeza foram as corrotinas em C++. Verdadeiras máquinas de performance onde se economiza troca de contexto, houve três palestras sobre o assunto, podemos dizer. Duas delas ministradas por Vinicius, mantenedor da Boost.Http, onde ambas dialogam sobre a fascinante questão de como adequar o uso de corrotinas sem interferir no fluxo do programa. A terceira palestra é minha, onde discurso sobre a dificuldade atual de depurar corrotinas sem ferramentas atualizadas para este “novo” paradigma.

Outra palestra que me lembro com muita empolgação é a sobre WebAssenbly. Não torça o nariz antes de entender. O palestrante nos apresenta algo ainda em andamento sobre transpilar código C/C++ para uma máquina virtual criada a partir de JavaScript. A estrutura da palestra é muito boa e o palestrante melhor ainda. Ele chegou a alterar o código durante a palestra para nos demonstrar diversos usos dessa tecnologia. Ainda em testes, mas muito promissora.

Por fim, as conversas entre os palestrantes e os participantes foi muito frutífera. Assim como nosso grupo do Telegram, importa menos o tema do que as pessoas envolvidas. E todos concordam que não há nada melhor no mundo que conversar com pessoas inteligentes e beber chopes do Sul. E lá na Acate há a melhor praça de alimentação que já vi na vida. Comida e bebida (chopes e vinhos por taça) boa e barata. Há massas e carnes de muita qualidade. O Madero do lado, que já não é nada de mais, ficou ainda menor.

O chope Putz IPA têm lúpulos cheirosos e corpo leve, pouco alcoólico e bem agradável gelado. Ou seja, nem parece IPA.
Coruja Pilsen é uma... pilsen? Bom, tem um salgadinho próximo de uma witbier prestes a ser esquecida.
O chope da Strappa Gingerberry é um chá preto fermentado com gengibre e gradação alcoólica ridícula de 0.6%. Ele é ainda frutado (possui morango) e deixa a garganta quentinha. Ótima opção entre bebidas mais fortes. Dá uma pausa etílica e estilosa na balada.
Kairós Sol Poente é uma West Coast IPA de respeito. Equilibrada de corpo leve, seu chope é aromático e um pouco salgado com amargor presente sem exageros.

Ficamos hospedados em uma casa na Barra da Lagoa pelo AirBnB em alta concentração de temas filosóficos. Fizemos um churrasco imprestável, fomos em restaurantes medíocres da orla, mas a conversa foi sempre interessante. Era como se o grupo de filosofia do Telegram tivesse se mudado temporariamente para lá. Temas como metafísica, política, social justice, auto ajuda e imprint de traumas eram frequentes. A paisagem belíssima, a casa aconchegante e a companhia agradável.

Native Floripa virou já uma tradição. Ano que vem nos vemos de novo.

Minhas palestras

Native Floripa 2018, by Wanderley Caloni. 2018-09-28. Evento de programação 'baixo nível' realizado em Florianópolis - Segunda Edição.