Osama

2019-12-02, 251 words, 2 minutes

Escrito e dirigido pelo diretor afegão estreante em longas de ficção Siddiq Barmak, “Osama” se aproveita do timing trágico pós-atentado das Torres Gêmeas em Nova York, o ataque orquestrado cujo mandante foi o jihadista Osama Bin Laden, inimigo público número 1 dos EUA e do mundo dito civilizado. Esse timing nada tem a ver com o que se vê neste filme, que ficionaliza uma realidade muito próxima do próprio elenco que participa do filme.

Barmak pesquisou sobre o povo muçulmano tomado pelo medo dos grupos extremistas talibãs para compor o cenário onde se passa essa história de uma garota que precisa fingir ser menino para conseguir trabalhar e assim ajudar sua família de apenas mulheres a sobreviver. O filme aproveita a história para ilustrar diversos aspectos da doutrina, como a submissão completa da mulher, além de demonstrar o resultado catastrófico em uma sociedade como essa, onde medo e miséria convivem entre diferentes gerações.

Seus atores são retirados diretamente dessa realidade, e nela voltam através de um diretor totalmente influenciado pela escola soviética, que influenciou o renascimento do Cinema por lá após a invasão russa. Dessa forma, há pouco enquadramento e muita montagem. O que vemos está sendo descrito de maneira dramática e exagerada porque seu idealizador respirou a teoria do autor de O Encouraçado Potemkin durante sua formação. O resultado é um filme tenso e necessário, embora exagerado para os dias de hoje, mas é seu exagero que nos informa o imediatismo e a urgência em que a história se passa.

Osama. "Osama" (Afeganistão, Irlanda, Japão, Irã e Holanda, 2003), escrito por Siddiq Barmak, dirigido por Siddiq Barmak, com Marina Golbahari, Khwaja Nader e Mohammad Arif Herati. Da série de DVDs. Nota: 4/5. Categoria: blog. Publicado em 2019-12-02. Quer colaborar?