Califórnia, 2018

Wanderley Caloni

December 30, 2018

Vale a pena fazer uma viagem aos EUA nessa época de 4 temers pra um trump? Er… financeiramente não. Mas como o timing é tudo e é preciso conhecer pelo menos uma vez na vida, e experiências são melhores que coisas, eu diria que vale, sim. Vivenciar outra cultura, valores, como as coisas funcionam de forma diferente, etc, acaba se pagando com o tempo. E no caso dessa viagem feita a carro com um casal de amigos, algo que não costumamos fazer, foi uma outra novidade que valeu a pena ter vivido.

O plano

Bom, como o voo para Los Angeles era o mais barato e ponto-comum para retorno (após São Francisco) a ideia inicial era alugar um carro em LA e fazer a triangulação Las Vegas e Napa Valley, com passagem em São Francisco na volta. Porém, esse contorno era muito longo (mais de 10 horas de viagem!), e devido aos feriados do Dia de Ação de Graças (onde quase nada abre) e à Black Friday (a loucura das compras) ficamos mais dias ao chegar em LA, partimos pós-fim-de-semana para Vegas (hospedagem mais barata) e voltamos via Los Angeles para Napa, de onde, por causa da hospedagem já absurdamente cara de todas as cidades visitadas, preferimos ficar hospedados em Napa durante o passeio para São Francisco e partir direto do vale do vinho para Los Angeles, para a última noite antes do voo de volta.

Em Los Angeles o primeiro desafio foi tentar encontrar o “hotel”. E se coloco hotel entre aspas é porque este é mais um entre inúmeros exemplos recentes do serviço do Booking que oferece locais que no fundo são um Air Bnb e se fingem de hotéis pelos nomes obscuros do local.

Hollywood Blvd Suite Plus Parking

O Hollywood Blvd Suite Plus Parking possui um host que se comunica de maneira esporádica pelo WhatsApp e que nos deixaria na mão ao chegar caso meu amigo não tivesse uma comunicação 4G para nos comunicarmos. Um rapaz aparece na frente dos apartamentos e nos entrega a chave, nos coloca para dentro com instruções bem básicas de como realizar o checkout no final da estadia e é basicamente isso. Sem serviço de quarto ou qualquer outro suporte, um único banheiro e um segundo quarto de “casal” formado por duas camas de viúva, o local não é exatamente o que foi vendido, pois as segunda e terceira camas são pequenas para um casal um pouco maior. Além disso, esse quarto extra não é um quarto, mas um segundo andar aberto; uma construção bem estranha.

Por outro lado, a localização é ótima! Fica na mesma quadra da calçada da fama, algumas centenas (ou dezenas) de metros do Chinese Theater e uma quadra de um iHop – local tradicional para cafés da manhã americanos. Além disso, apesar de muito próximo da ação a rua é relativamente tranquila, residencial, o que nos deu paz para dormir. Pela janela lateral da sala é possível ver o observatório da cidade, famoso pelo filme Rebelde Sem Causa.

Os cafés de LA

Por falar em cafés, há outros muito bons nas redondezas da calçada da fama, algo importante para a primeira refeição do dia, que acaba virando um mini-brunch para mais tarde ser realizado o almojanta, totalizando assim duas refeições diárias, uma forma de economizar na comida, que nem é tão boa assim, e se manter em forma, além de economizar o próprio tempo.

Nunca comi nenhum croissant que valesse a pena (e comi em praticamente todos os lugares que ofereciam, incluindo hotel) e os pães são bem complicados, com exceção de menos conhecidos do público como ciabatta. Se mantenha nas panquecas, ovos e bacon e tente obter alguma coisa saudável para fazer sua digestão. Os tamanhos small são o suficiente para qualquer pessoa.

Tiago Coffee Bar & Kitchen

Hipster, mas gostoso, o café do Tiagão é um local bonito e com um staff competente, daqueles que sabe fazer café. O tradicional omelete com bacon é bom, e o café é nível Starbucks. Ele também possui alguns pães, saladas e frutas que ajudam a digestão difícil que é comer nos EUA. Ovos com bacon, salada e um pão que serviu para fazer um lanche (que não existe no menu).

DRNK (ou Robeks & Juice)

Situado logo depois do iHop, na mesma avenida e do mesmo lado (logo depois da loja de sapatos), há um lugar chamado DRNK, mas que no Trip Advisor se conhece pelo nome Robeks & Juice, talvez porque lá há dois serviços: padaria hipster pequena e um bar de sucos naturais com vários incrementos saudáveis (eles possuem até açaí) e muito caros (cada suco cerca de 10 dólares). Com um staff muito gentil, que rendeu uma memória que iremos guardar para o futuro.

DRNK foi um achado sem querer. Se trata de uma Starbucks com comida saudável e do lado tem uma sessão de sucos naturais de hipster. O café é melhor que no IHOP e rivaliza bem com a própria Starbucks. Além dele o do Tiago segue o mesmo princípio Starbuckiano.

Rise N Grind

Outro da série achamos do lado de uma Bed, Bath & Beyong (uma loja de coisas de casa de preço médio), que tem a grande sacada de um tampador para aqueles copos descartáveis da Starbucks. Simples e prático. Além disso, o lugar é amplo, bem localizado (na calçada da fama) e tão caro quanto qualquer café hipster.

iHop

O iHop é o lugar que está sempre aberto e que tem uma comida norte-americana prática e simples. Nada saboroso, mas tampouco caro, o serviço é bom e os pratos chegam rápido. Há panquecas, omelete, bacon e um café infinito que costuma ser duas vezes mais aguado que o Starbucks normal (sim, o Starbucks é o padrão que uso para tudo que é café), mas que custa pouco menos que 3 dólares por pessoa. Há um ou outra opção mais saudável e o french toast deles é diferente do nosso, que chamamos de rabanada (este não é doce). As coberturas das panquecas, como tudo nos EUA e que nos surpreendeu, não é doce demais (a não ser que você derrame um monte em cima de suas panquecas).

O IHOP tem aquele estilo de lanchonete americana para tomar café e refeições. As panquecas, o french toast e os seus molhos de blueberry e old fashioned não são fortes, são leves, assim como o café aguado, que é mais um chá (com refil). É um lugar OK para comer de manhã, não muito caro para os padrões. Eles servem o cardápio americano, claro, com ovos, bacon, linguiça.

Voltando às atrações

Chinese Theater & Oscar

O Chinese Theater é o cinema mais famoso de Hollywood porque fica do lado do teatro onde é realizada a cerimônia do Oscar, o ex-Kodak Theater e atual Dolby Theater. Compramos ingressos para ver Animais Fantásticos 2 e aguardamos por lá, que é um grande Mall a céu aberto onde pode-se ver à distância o símbolo de Hollywood no monte e artistas de rua na calçada da fama. Além de um monte de gente tirando foto.

O cinema onde vimos, um iMax, possui um charme que ainda persiste. Cheio de decorações que fazem jus ao nome de cinema chinês, a experiência de ver um filme onde estreiam os filmes do Oscar é impagável (apesar de ser bem caro).

Warner Studios

O passeio da Warner, a despeito de ser caro (60 usd) tem cerca de duas ou três horas de duração e se passa por vários estúdios, cenários externos de filmes, séries, etc. Para quem é nerd millenial tem passagem pelos estúdios do The Big Bang Theory e a explicação que os roteiristas ficam durante as gravações para ajustar as piadas. Há uma ênfase atual também (inexplicável?) com a série The Good Place, e pode-se ver seus cenários também.

Píer em Santa Mônica

O píer em Santa Mônica é icônico, e a própria cidade merece uma passagem pelas charmosas ruas, incluindo um calçadão de lojas enfeitado para o Natal. Comemos em um dos restaurantes da rua da orla, que não é ruim, mas por causa do Thanksgiving meio tumultuado.

Black Friday

Logo em seguida houve a Black Friday. Na Best Buy rolou compra de eletrônicos. Os preços diminuíram logo depois da reabertura da quinta, às 17. Na noite de quinta quase nenhum equipamento estava disponível nas lojas, mas havia pleno movimento.

O Wall Mart grande da região tem um estacionamento grande porque faz parte de um complexo, e lembra um hipermercado brasileiro levemente maior ou do mesmo tamanho.

Observatório da cidade

O observatório é muito mais amplo e mais movimentado que pensei. Possui várias salas explicando a arquitetura do lugar, sua história e as tecnicidades de como funciona a captura de luz, eventos do céu e tipos de estrelas. Há vários eventos que ocorrem de tempos em tempos, incluindo a apresentação principal, que custa menos que 10 dólares. Não ficamos para ver porque teria que esperar uma hora e estávamos com fome.

Único restaurante que comemos em LA

O Franklin & Company, apesar de bem cotado, possui um hambúrguer seco, apesar de fritas decentes e um molho de queijo interessante no pretzel, que lembra exatamente os salgadinhos de palito. O IPA on tap, Blue Moon se não me engano, possui corpo médio e é cítrico em vez de lupulado aromático, fácil de beber. No final a conta deu 25 dólares.

Fim (?)

Depois do quarto dia em LA desisti de fazer anotações, mas tenho vagas lembranças. Vejamos:

Vegas

A viagem para lá demora umas cinco horas de carro e há um trânsito intenso nas saídas e entradas de LA. Depois é bem mais de boa. Há uma pista para carros lentos e caminhões e a pista pra quem quer pisar fundo. Recomendo ficar de olho na gasosa, porque os postos aparecem e somem muito rápido. No meio do caminho entramos em uma conveniência de beira de estrada com uma fila gigantesca para ir no banheiro (apenas as mulheres; claro) e um self-service de nachos com molho e hot dogs. This is America!

As duas partes mais emocionantes da viagem foi em Vegas. A primeira foi atirar, que é uma sensação muito boa e que recomendo a todo ser humano. A segunda parte foi ter perdido o passaporte no meio da viagem, o que fez com que pegássemos um ônibus de madrugada no terminal da cidade para Los Angeles em direção ao Consulado do Brasil. Quer dizer, tentamos pegar este ônibus, pois o horário estava errado (trocamos PM por AM) e o próximo ônibus era às 6 da manhã saindo do lado do Caesar’s Palace, em um ônibus novo, limpo, vazio, onde o checkin era feito por um motorista extremamente cordial e correto. O apoio de pé nos bancos é um plus, mas a falta de uma cortina de verdade não. O apoio da cabeça também não é dos melhores. Mas, enfim, fizemos um road trip com direito a ônibus mudando a rota por causa da perda do passaporte, o que acabou sendo a aventura em si.

Após esse percalço aguardamos nossos amigos por lá no terminal de bus de Los Angeles e exploramos um pouco em volta, achando o bairro japonês e uma casa de lámen extremamente japonesa, com direito a uma japonesinha cartunesca andando pelo estreito corredor do local (que lembra o Aska) e que tem um gengibre extremamente curtido e um sabor de lámen característico. Na volta de Napa ainda levamos nossos amigos para provar essa iguaria típica do mini-bairro nipon.

Napa e São Francisco

Vinhos, vinhos, vinhos. Há ciclovias por todo o vale de Napa e as vinícolas são feitas para agradar o gosto local de chegar e já ir degustando, sem o devido passeio e explicações sobre o preparo da bebida. Isso ocorreu inclusive no castelinho, uma atração turística (um castelo feito com material original da Itália e que abriga uma das vinícolas mais antigas). Devo ter feito algumas anotações dos vinhos por aqui.

São Francisco conhecemos em um dia de bate e volta (ficamos hospedados em Napa). A Golden Gate é um pouco decepcionante (não a vimos do ponto de vista de Um Corpo que Cai) e a cidade é bonitinha. Comemos um hambúrguer decente dentro de uma loja de departamentos no centrão (do lado da praça central) e pegamos trânsito! Iupi.

Fim: agora sim (?)

Escrevi pequenas memórias de uma linha. Isso deve ajudar em minhas conexões, mas é meio inútil para o leitor ocasional. Bom, é meu blogue pessoal, então aí vai:

Memórias

  • DRNK: you are adorable
  • Suco de açaí toma conta dos sabores no copo
  • Não achamos os tacos, mas passamos em frente à bakeria e comemos ramen em Vegas
  • Pegamos um ônibus para Los Angeles com um motorista atencioso
  • Estávamos perdidos em Vegas no terminal de ônibus de madrugada cheio de noia esperando o que não iria acontecer
  • Pagando 120 reais por 45 segundos
  • Vinhos europeus wanna be, ou como pagar pau sendo americano
  • A diversidade da terra em Napa com turistas que na verdade não querem saber
  • Como Ted subverte as regras de Napa e aprendemos sobre os barris franceses
  • Whole Foods é o único lugar para não morrer de fome
  • O alarme que berra na entrada do Coppola
  • Um copo de verdade com um IPA de respeito
  • O jovem que limpa o banheiro varre o chão
  • Outlets brotam em qualquer lugar da América
  • A arte de apertar o botão da torradeira

Fotos

"Califórnia, 2018" foi escrito por Wanderley Caloni. 2018-12-30. Viagem a Los Angeles, Las Vegas, Napa Valley e São Francisco com família Incrível em novembro de 2018.


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