Proteção dos membros protected
Wanderley Caloni, 2007-10-26

#c++

Quando queremos que um membro de nossa classe seja visível apenas dentro dos métodos da classe e dentro dos métodos das classes derivadas dessa classe usamos o nível de proteção protected. Isso, é claro, não quer dizer que uma classe derivada vá ter acesso aos membros protegidos de outra:

#include <iostream>

using namespace std;

class Base
{
protected:
	int m_protected;
};

class Derived : public Base
{
public:
	int GetProtected();
	int GetAnotherProtected();
};

class AnotherDerived : public Base
{
};

int Derived::GetProtected()
{
	return m_protected; // tudo bem. sou um Derived; tenho meus direitos!
}

int Derived::GetAnotherProtected()
{
	AnotherDerived anotherDeriv;
	return anotherDeriv.m_protected; // inacessível. não estamos em AnotherDerived!
}

int main()
{
	Derived deriv;

	deriv.GetProtected();
	deriv.GetAnotherProtected(); // isso não vai dar certo...
} 

Saída:
error C2248: 'Base::m_protected' : cannot access protected member declared in class 'Base'
see declaration of 'Base::m_protected'
see declaration of 'Base'

Esse é o motivo fundamental do porquê não podermos fazer isso:

// another chance

int Derived::GetAnotherProtected()
{
	Base base; // somos derivados dessa base, não somos?
	return base.m_protected; // mas não é por isso que vamos acessar um membro protegido de boa.
} 

Ao acessar membros protegidos é importante o tipo da expressão que está do lado esquerdo do “.” ou “->”. Afinal, o nível de proteção se baseia no escopo, e as classes são um escopo. É por isso que consigo acessar os membros protegidos de um outro objeto de minha classe, mesmo sendo outro objeto:

// dentro da lei

int Derived::GetAnotherProtected()
{
	Derived deriv; // meu irmão: typeid(deriv) == typeid(*this).
	return deriv.m_protected; // mesmo tipo do escopo: meus direitos são preservados
} 

A definição do escopo é tudo o que o compilador dispõe para saber se acessa ou não acessa um membro. Podemos ter acesso a m_protected enquanto somos do tipo Derived, mas não quando o mesmo objeto é usado como Base:

// fora-da-lei

int Derived::GetAnotherProtected()
{
	Base& base = *this; // os genes da minha mãe.
	return base.m_protected; // eu não me acesso! tipo o subconsciente...
} 

Essa proteção parece desnecessária - e até mesmo incoerente - quando lidamos com o mesmo objeto que acessa. Afinal, somos nós mesmos! Só que o compilador não sabe disso, e ele deve desconfiar de tudo e de todos para evitar esse tipo de “ataque”:

// espertinho, hein?

int Derived::GetAnotherProtected()
{
	AnotherDerived anotherDeriv; // não acesso os protegidos desse aqui...
	Base& base = anotherDeriv; // mas quem sabe se eu acessar os genes da minha mãe?
	return base.m_protected; // nada feito =(. Também, se nem eu mesmo consegui me acessar...
} 

Agora a proteção do compilador faz sentido. Parece um detalhe frívolo, mas depois que vi alguns programadores de respeito se debatendo pela “burrice” do compilador, imaginei que talvez houvesse mais pessoas com a mesma dúvida de se existe ou não um “bug na linguagem”.