Westworld

Caloni, December 30, 2018

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Eu fui programado para escrever esse texto? Posso responder, na melhor das hipóteses, que eu estar escrevendo este texto é consequência da soma das minhas ações. No entanto, volta outra pergunta no lugar: eu fui programado para executar tais ações?

A série televisiva – leia-se: lotada de enchimento de linguiça – Westworld tenta explorar essa questão nos entregando em sua história um parque temático com representações físicas fidedignas de seres humanos, que interagem com os visitantes como personagens “de carne e osso” do velho oeste. Isso permite que os clientes satisfaçam seus desejos mais profundos, geralmente sádicos e sexuais, e ao mesmo tempo coloca em xeque nossos conceitos de moral e ética.

Mas Westworld é mais que isso. Preso ao parque, o conhecimento e tecnologias desenvolvidos durante décadas está nas mãos de poucos investidores, e a criação de histórias e personagens nas mãos de seu fundador. Isso quer dizer que ainda estamos nos limiares do que torna possível desenvolver “cérebros” capazes de conter memórias e processar os mais diferentes tons de emoções humanas, mas ao mesmo conter a racionalidade dessas máquinas em roteiros feitos não apenas para entreter a platéia, mas controlar os anfitriões em um mundo onde todos carregam facas e pistolas.

As ideias por trás do seriado ultrapassam sua narrativa em anos-luz. Ainda assim, o tratamento dado pelos idealizadores é digna de respeito, pois pensou nos mais diferentes empecilhos para que aquele experimento pioneiro se contivesse ainda em uma espécie de laboratório mental. O preço para isso são personagens mal desenvolvidos e diálogos que se repetem sem muitas vezes querer dizer alguma coisa mais profunda, e mesmo com os mais devidos respeitos ao personagem de Anthony Hopkins, é difícil não entender desde a primeira cena em que ele aparece que este é um estereótipo tão básico quanto os primeiros bonecos colocados no parque (como Dolores, a eterna mocinha que aguarda pelo resgate).

O personagem de Hopkins é o cientista maluco, e sua criação é, no melhor sentido metafórico do tema, fruto dos delírios de um roteirista que tem a possibilidade de criar personalidades que sejam finalmente livres de seu criador. Negar isso é negar a própria essência de sua caricatura, e mesmo que a série constantemente nos jogue uma ideia contrária, sabemos desde o início que Hopkins está lá para chocar. O que, paradoxalmente, é o que acaba menos chocando.

Baseado em um filme de 1973 (Westworld: Onde Ninguém tem Alma, de Michael Crichton), a grande sacada da série é subverter a narrativa do original e contar a história sob o ponto de vista dos robôs, o que os dá os primeiros traços de humanidade necessário para que reconheçamos a humanidade dentro deles. Porém, caindo na própria armadilha do plot original, ao ilustrar bonecos como personagens de um filme de terror as pessoas reais da série estão longe de parecer muito diferentes de suas contrapartes de plástico. Aliás, esse truque de comparação é tão velho quanto o primeiro filme de George Romero.

E por falar no criador máximo de filmes de zumbi, não deixa de ser igualmente irônico que o único caminho a ser seguido pelo longa de dez horas é justamente se entregar a caricaturas, quebra-cabeças previsíveis (ainda que cercadas por uma narrativa competente em escondê-los) e girar em torno do próprio rabo sobre as questões filosóficas perenes.

E nesse sentido, podemos também concluir com uma pergunta capciosa: os roteiristas de Westworld foram programados para escrever Westworld? Ou foram apenas consequências das ações de bilhões de indivíduos o que nos trouxe aqui? E mais uma vez, outra pergunta volta no lugar: fomos programados para executar tais ações?

S01 (Revisita com algumas questões e Spoilers)

A revisita a Westworld vale muito a pena. Detalhes que só serão revelados no final são percebidos desde o começo, e a experiência de torna única novamente. Em meu primeiro texto não me lembro se liberei spoilers (vendo agora… não), mas este aqui é certeza que terá. Como toda revisita a esta série deve ter.

Em primeiro lugar, fui desnecessariamente duro com a série em meu primeiro texto. Se trata de uma história necessária para os dias de hoje, e uma história cujo roteirista necessário é possível contar nos dedos. E Jonathan Nolan obviamente está na lista. É dele O Grande Truque, Amnésia e Interestelar. Todos eles possuem algo com Westworl em comum: lidam com mudanças bruscas no tempo, com tempos paralelos e trucagens no tempo.

Aqui a grande trucagem está nos bonecos de Westworld, que por não envelhecerem, podem pertencem a períodos temporais distintos. Porém, seus personagens humanos, esses sim, estão bloqueados no tempo e em sua visão limitada da realidade. Os bonecos conseguem reprogramar suas narrativas de maneira muito mais eficiente que um ser humano, embora vivam seus sonhos (e pesadelos) como se fossem a própria vida. Essas diferenças entre humanos e andróides são vitais para entendermos a escalada dessas criaturas para sua merecida liberdade e consciência.

Mas isso ainda está em xeque. Terão alguns andróides atingido a consciência, ainda que da forma deles? O que dizer de um programador de androides onde ele próprio é um androide? Ele está consciente?

A questão do controle é bem curiosa, também, pois aqui os humanos fazem o papel das forças da natureza, já que humanos estão presos à sua natureza, e os androides, a humanos. Anthony Hopkins faz aqui um de seus melhores papeis, e arcos, e é deles o melhor pacote de frases profundas, embora todos tenham o seu papel na história. Principamente os androides.

É curioso perceber como humanos pouco mudam durante a temporada, mas os androides, estes sim vivem sua revolução, de forma velada, mas vibrante. É um deleite filosófico acompanhar a narrativa do ponto de vista da capacidade deles adquirirem uma forma de consciência, fora os diferentes símbolos criados para esta consciência.

Enfim, apenas um pequeno desabafo de uma das melhores séries ainda em execução. Espero extrair mais conteúdo da minha terceira vez em que assiti-la. Sua complexidade me fascina, mas ao mesmo tempo me consome. Não consigo imaginar como o espectador médio passar por esse martírio.

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Estava com saudade de voltar a escrever sobre Westworld. Agora comecei a ver a segunda temporada, os dois primeiros episódios, já que a temporada acabou. É curioso como o jogo de expectativas não funciona muito bem com uma série que praticamente arrasou logo em sua primeira temporada, que merece ser vista e revista algumas vezes. No entanto, é preciso ser mente aberta para aos poucos compreender o que os criadores da série pretendem.

O reinício da série lembra uma tentativa em refazer todos os conflitos da primeira temporada, mas de uma maneira pouco criativa. Os robôs tomam conta de suas próprias vidas, pelo menos as duas garotas mais promissoras, a doce Dolores (Evan Rachel Wood) e a ácida Maeve (Thandie Newton). Dolores era a cobaia do experimento da busca pela consciência. O experimento foi bem sucedido pelo diálogo existencialista que ela insiste em dizer sempre que ela e seus seguidores, incluindo seu amante de suas narrativas, Teddy (James Marsden), param em um lugar para punir seus agora inimigos: humanos.

Mas é época de vingança, e ninguém melhor para liderar uma revolução do que a dona do prostíbulo, Maeve, que aprendeu por conta própria a usar uma falha em seu sistema de apagamento de memória para insurgir como o conjunto de tudo o que viveu e tudo o que lhe fizeram. Ela é ódio puro, mas sob controle do autômato com o maior QI a andar livre por aquelas terras. Por ser negra e ter perdido sua filha na narrativa passada, a metáfora sobre escravidão e dívida história está no ar. Rodrigo Santoro como o impiedoso Hecotor vira seu interesse amoroso, embora aqui, para ficar claro, os interesses amorosos de fato são os homens, que seguem suas mulheres líderes da revolução.

A série também vê necessidade de explicar, ou apenas mostrar de maneira onisciente, os momentos do passado que culminaram na compra do parque por Wyatt (Sorin Brouwers), ou o Homem de Preto (Ed Harris). Como ele ainda está no jogo, seguindo os passos que Ford colocou para ele, não me parece nada inesperado seu encontro com Dolores. O que me parece inesperado são momentos e diálogos tão inspirados quanto os da primeira temporada. E nem espero pelas reviravoltas que vimos.

Já Bernard (Jeffrey Wright) vira aqui um pouco do elemento gore com tons de terror psicológico, pois vive o desespero de se descobrir máquina apesar de ter acreditado por muito tempo ser humano, e potencialmente isso irá nos mostrar mais filosofia existencialista na trama futura. E mais uma vez (e espero estar errado) não espero nada muito profundo. Algo no nível do Pondé, digamos.

Talvez a primeira temporada tenha entregue tudo que precisamos ver sobre a grande questão sobre singularidade. Agora apenas aprecie o passeio. It’s (brainless) show time.

PS: Importante notar que o casal Jonathan Nolan e Lisa Joy não estão mais na liderança do projeto, que segue por uma equipe diversificada no roteiro e direção. Torçamos para que eles mantenham o legado vivo.

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Westworld e suas revelações nos primeiros quatro episódios são tão profundas que suas várias linhas narrativas ficam em um vácuo por mais de um episódio. E isso é por uma causa justíssima, pois não há como se concentrar com vários acontecimentos em paralelo (e em várias linhas do tempo), e também porque eles (por enquanto) não se influenciam, mas se completam, para explicar um assunto que já vai ficando claro no segundo episódio e óbvio no terceiro: a busca por imortalidade.

A frase que ficou mais na minha memória na impecável primeira temporada não foi nenhum brilhantismo de Ford nem as instigantes mensagens que os androides traduziram em seus pensamentos, mas a da diretora do parque: os clientes querem uma coisa, os criadores querem outra coisa e os acionistas querem outra completamente diferente. É um conforto entender que as premissas da história geral continuam sendo respeitadas e ampliadas, e já não me preocupo mais quais são os caminhos que a série pode abrir, pois as estruturas temáticas do terceiro e quarto episódios já me convenceram que estamos falando de uma narrativa muito, muito boa. Talvez melhor que a da primeira temporada.

Note, por exemplo, como a série explora com sucesso a discussão sobre o que é realidade. Desde o princípio, na temporada anterior, trazendo as sensações mistas dos androides sobre o que são memórias, sonhos ou a realidade em si, apesar de aparentemente emancipados, isso não impede que Maeve continue perseguindo seu objetivo de resgatar sua filha fictícia de uma narrativa antiga, ou até mesmo que Dolores compareça da situação “pai” ao reencontrá-lo, um rancheiro que, se vc não lembra, “deu pau” no primeiro episódio da série, sendo trocado por outro robô. E, não por coincidência, mas inteligência, agora ele é a chave do que a empresa Delos (a parte dos acionistas) tanto valoriza neste experimento, mesmo que em detrimento agora até de vidas humanas (e que tem muito a dizer sobre a desumanização das corporações ou do desequilíbrio entre o “valor” entre diferentes seres humanos que beira uma distopia capitalista).

Mas não pára por aqui. Esta não é uma série cujas metáforas são apenas uma crítica ou análise de apenas uma área do conhecimento humano. Artisticamente a série vai além. Observe o final de um certo personagem ao final do quarto episódio, banhado em um vermelho fatídico, e após ter vivido tanto tempo em incontáveis réplicas, e a imagem do inferno de Dante, ou do purgatório, ou das peças que o demônio prega, vêm à nossa mente. E também são o eco da mente deste personagem, ou o que restou dela, com suas frases e comportamentos que surgiram repetidamente no passado, agora pela última vez.

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“O homem não pode fazer-se sem sofrer, pois é ao mesmo tempo o mármore o escultor.” Essa frase de Alexis Carrel não poderia ter um valor mais direto do que o visto em Westworld, com a devida correção, já que a grande questão sobre a qual gira o drama é a diferença entre androides e humanos. No entanto, androides também podem mudar, mas a um alto custo. A versão 2.0 do homem torna até Nietzsche, como sempre, relevante.

Do primeiro ao sexto episódio podemos dizer que a segunda temporada de Westworld é uma construção e tanto, que nos inspira os mais diversos pensamentos e sentimentos em relação à nossa (não-)individualidade, nossa consciência ou até mesmo o que é realidade. Nunca com medo de deixar os espectadores mais preguiçosos para trás e ancorado no que o sci fi tem de melhor – ideias – as suas diferentes narrativas traçam um panorama ímpar entre as grandes produções, pois consegue reunir, assim como a maioria das produções dirigidas e escritas pela família Nolan, um blockbuster com ideias. E no caso dessa parceria entre Jonathan Nolan e Lisa Joy, algo que falta nos filmes de Chris Nolan: coração.

Todo o pequeno hiato aberto em uma versão oriental de Westworld poderia ser vista como descartável, mas note a reação dos personagens que já conhecemos ao encontrar seus sócias, seja em personalidade ou narrativa, e terá o preço pago. Isso sem contar a empatia que isso gera em Maeve, tornando sua jornada em busca da filha ainda mais significativa por acrescentar ainda mais dor e sofrimento pelo caminho.

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Eis o melhor episódio até agora de toda a série. Ele possui a garra da ação contida em uma história cheia de ideias cujas conclusões não são entregues, mas discutidas, o que torna a desorientação espacial e temporal também no campo das ideias, mas mesmo sem termos a exata compreensão do que está acontecendo não nos perdemos. Isso é sci fi no seu máximo filosófico. Talvez nem 2001 tenha ido tão longe.

Mas é claro que uma obra de ficção possui suas justiças poéticas para servirem de catarse para o espectador, e com isso quero dizer exatamente a cena onde Maeve encontra o que esteve procurando a vida toda. No entanto, a série entende que a dor que a acompanha, desde seu momento de evolução instantânea, também é o que faz com que ela não consiga se separar da ficção de quem realmente ela é, tornando assim o seu clímax o momento mais trágico.

Conseguindo amarrar boa parte das pontas em apenas um episódio sem nenhuma pressa, mas também sem muito respiro, o sétimo episódio veio para chacoalhar nossas impressões das possibilidades da série, e ao mesmo tempo nos dar um pouco de closure (nem que seja o mínimo). Com isso temos mais uma vez a participação sempre especial de Dr. Ford, que acaba soando mais sensato que da última vez.

E por falar em Ford, é preciso citar o arco interessantíssimo do Homem de Preto, que começa a obedecer a narrativa mais que os próprios bonecos que acompanhou a vida inteira. Sua obsessão pelo jogo o tornou parte dele. Um “fim” não apenas adequado, mas icônico para o personagem.

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Foi uma longa jornada desde o começo da temporada, mas nossos neurônios mereciam um pouco mais de respeito. Eu sei que seres humanos não fazem escolha e tudo mais, mas a filosofia de boteco de Ford pós-morte é de matar. Se fosse possível escolher seria fácil: reescreve esses últimos dois episódios, o 9 e o 10, que tá fácil de consertar. Anda. Eu fico esperando.

Concentrado em nos dar algumas reviravoltas custe o que custar (porque a primeira temporada teve a rodo) a continuação comercial de Westworld dá voltas em torno do próprio rabo sem um closure que seja realmente intrigante. Ele apenas entrega parte de uma catarse que se perdeu pelo caminho. Ou se formos pensar mais a fundo, nunca existiu.

Porque vejamos: o grande mote dessa temporada é uma espécie de batalha entre humanos e máquinas. Algumas máquinas ganharam uma certa liberdade de suas narrativas, criadas para entreter os clientes dos parques temáticos. Nessa temporada veremos que há muito mais por trás dessa ideia, como já foi sugerido logo no começo da segunda temporada. No entanto, nenhuma das revelações acaba tendo o impacto planejado. Explico mais abaixo com SPOILERS.

O anfitrião premiado, por exemplo. Ele é o pai de Dolores e o McGuffin do meio da história (e chamá-lo de McGuffin não deixa de ser divertido, se formos pensar que ele também pode ser visto como personagem). Mas uma vez que ele é raptado por Dolores e seu bando, apesar de fazer parte de uma bela cena de despedida, ele deixa de ter importância. A partir daí o objetivo vira impedir que os androides saiam do parque (de alguma maneira mágica que ninguém ousa explicar em nenhum momento porque estragaria a surpresa). Mas esse objetivo não tem vilões do outro lado para sustentar tanto antagonismo. Até Ed Harris sozinho, com sua vilania pura, consegue nos entreter mais do que a grande corporação malvada cujas motivações são obscuras demais para empolgar. E se alguém lá no fundo sugerir que é a tal da imortalidade, bem, as pessoas apenas comentam por cima, como se essa palavra sozinha já dissesse tudo. Bom, pode até dizer, mas é vazio, sem alma, sem ânimo.

Ao mesmo tempo as figuras das duas heroínas, Maeve e Dolores, se no começo empolgam por serem versões novas das suas personalidades que conhecemos na temporada anterior, infelizmente elas se tornam versões vagas de persistência e no caso de Dolores uma espécie de vingança cega. No começo da temporada estava preocupado com a atuação da atriz Evan Rachel Wood, que muda drasticamente de personalidade. Mas esse acabou não sendo o problema, e Rachel Wood se saiu muito bem, obrigado, mantendo uma expressão firme e representando mais uma vez um teatro da vida real, só que através do seu filtro sombrio, que não enxerga mais “a beleza deste mundo”. O problema mesmo fica por conta das emoções das máquinas, que são simuladas, e que aqui, em meio a uma verdadeira revolução contra seus donos, exigem muito mais. É difícil embutir ética e moral em máquinas que até então estavam seguindo ordens. Quem diz que a única coisa que mudou não foi quem dá as ordens?

Mas enquanto na névoa a história se beneficiou da dúvida do que pode ocorrer e expandiu a discussão sobre metafísica e existencialismo que a série tanto provoca. E foram momentos inesquecíveis! Até o episódio de explicação da tribo fantasma (o oitavo), podendo ser acusado de filler, se trata de uma linda, poética e profunda história sobre o amor romântico e fraterno, além do amor pela verdade em determinado momento. Foi o último traço de sanidade em uma discussão instigante que depois passa para o necessário fechamento da temporada recheada de ação.

As duas narrativas separadas no tempo fazem sentido, mas não causam tanto impacto pela falta da tensão do antagonismo. O sentimento mais apropriado para as últimas duas horas de Westworld eu diria que é confusão, que vai se consertando com uma reconstrução da lógica narrativa por nós, espectadores, o tempo todo.

Mas não me leve a mal. A última reviravolta possui uma certa ironia agradável de observar, mas está longe de ser uma surpresa que esperávamos ver desvendada. Não há tensão suficiente para que houvesse a urgência dessa solução, tornando o papel de Bernard na equação no pior dos casos um equívoco bobo e ingênuo para uma série onde sua maior força é brincar sobre o processo de construir narrativas. Vocês erraram feio, pessoal.

Westworld ● Westworld (USA, 2016). Dirigido por Jonathan Nolan, Fred Toye. Escrito por Lisa Joy, Jonathan Nolan, Michael Crichton, Halley Wegryn Gross, Dan Dietz, Charles Yu. Com Evan Rachel Wood (Dolores Abernathy), Thandie Newton (Maeve Millay), James Marsden (Teddy Flood), Jeffrey Wright (Bernard Lowe), Ed Harris (Man in Black), Anthony Hopkins (Dr. Robert Ford). ● Nota: 4/5. Categoria: series. Publicado em 2018-12-30. Texto escrito por Caloni. Quer comentar?