Why Facts Don't Change Our Minds

Wanderley Caloni

February 3, 2019

Você sabe como funciona um vaso sanitário? Tem certeza? Faça o experimento, então: descreva de maneira verbal todos os passos envolvidos no funcionamento de dar descarga em um vaso. Depois pesquise e verifique como ele realmente funciona. Compare a realidade com o seu achismo e exploda sua cabeça.

Mas não se preocupe, você não é o único. De acordo com inúmeras pesquisas desse artigo de Elizabeth Kolbert o ser humano dependeu dessa confiança cega no conhecimento do próximo para conseguir evoluir tão rapidamente desde a idade do bronze. Não era todo homo sapiens sapiens que precisava entender todo o mecanismo por trás da confecção de uma arma ou uma ferramenta rústica dos tempos primórdios. Muitos simplesmente confiavam no que lhe era dado pelo ambiente e sociedade onde vivia.

Até aí há uma grande coincidência em como a sociedade funciona hoje. Claro, se escalarmos nossa evolução ao infinito após a Revolução Industrial, já que praticamente o funcionamento de nada no mundo contemporâneo consegue ser explicado por apenas um ser humano. Pior ainda se ele tentar fazer ele mesmo. Veja a história do cara que tentou fazer seu próprio sanduíche. Ele deveria produzir todos os ingredientes envolvidos em sua produção. Ele demorou seis meses e gastou 1500 dólares no processo. Um mero sanduíche.

No entanto, o assunto do artigo não é esse. Ele parte disso para nos ensinar uma importante lição como lidamos com o conhecimendo no mundo e a partir disso demonstra como nem em todas as áreas isso é algo benéfico. No quesito democracia, por exemplo, esse nosso viés é muito ruim, já que as decisões escolhidas por milhões de pessoas não impactam diretamente suas vidas, mas a decisão em si exige conhecimento de cada um para essa decisão. Isso quer dizer que todos os votantes ou apoiadores de qualquer ação de seus governos deveriam estar a par de todo o movimento geopolítico e econômico da atualidade.

Traduzindo isso na prática, uma intervenção americana na Ucrânia, por exemplo, para ter legitimidade de conhecimento da população, deve supor que todos ou a maioria dos habitantes está a par da situação política nesse país do Leste Europeu. Porém, quase ninguém sabe exatamente onde fica a Ucrânia. E pior: quando pedido aos entrevistados de uma pesquisa para apontar no mapa onde esse país fica, quanto mais distante dos EUA eles apontavam mais sua opinião era intervencionista. Coincidência?

Source: https://www.newyorker.com/magazine/2017/02/27/why-facts-dont-change-our-minds

"Why Facts Don't Change Our Minds" foi escrito por Wanderley Caloni. 2019-02-03. Inúmeras pesquisas revelam que os seres humanos possuem um viés de grupo e de confiança no conhecimento do próximo que nos ajudou a avançar, mas que é um problema em certos assuntos como política.


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