12 Regras Para a Vida, por Jordan Peterson

2018-12-30 · 7 · 1401

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

12 Regras Para a Vida é um livro de auto-ajuda diferente da maioria. Ele não usa o exemplo de vida do autor, pois se o fizesse na prática serviria como guia apenas para o próprio autor. O livro do psicólogo e filósofo Jordan Peterson utiliza a sabedoria das narrativas antigas e dos usos e costumes das sociedades. Isso aliado ao que a ciência já descobriu sobre nossa espécie para chegar a um denominador comum de quais são as regras mais valiosas para uma vida significativa. Peterson está menos preocupado em viver feliz e mais em viver com significado. “Precisamos de regras; quaisquer regras”. Esse livro é a tentativa de elencar as melhores.

O início nos apresenta a ideia de que valores são tão importantes quanto fatos científicos, mas que atualmente existe um movimento que tenta eliminar o discernimento moral como algo absoluto ou mensurável. O mundo que vivemos está substituindo certezas onde podemos nos agarrar pela tolerância ilimitada e cientificismo exarcebado, onde teoricamente apenas fatos importariam. “12 Rules” enfatiza como a razão não é todo o conhecimento que podemos obter do mundo à nossa volta (apesar de ser importante), pois há lugares que apenas nossa intuição pode caminhar.

E para nos ajudar surge um possível guia, o mais antigo de todos, o conjunto das inúmeras narrativas mitológicas sobre o mundo, que mesmo parecendo contos de fadas estão aí até hoje por um motivo. Há uma certa ênfase em como as narrativas de heróis fictícios sempre focam na transformação pela qual ele passa e pelo sacrifício necessário para que ele passe para o “próximo nível”.

Particularmente a parte mais notável dessa introdução é entender que valores são tão importantes para nós, humanos, como os hoje glorificados fatos científicos. Aliás, fica uma questão interessante para ser respondida durante a vida: como há tantos fatos hoje em dia e prestamos atenção apenas aos que nos interessam (portanto, os que valorizamos) como separar fatos de valores?

Por fim, a mensagem implícita nessas regras de como viver é simplesmente a máxima clichê e piegas de seguir os seus sonhos. E sonhos, por definição, não são obtidos através da razão.

Enfim: vamos às regras. A número um diz: Levante-se reto com seus ombros para trás (Stand up straight with your shoulders back)

Desde as lagostas hierarquia por dominação existe no reino animal. Os que perdem um confronto se tornam submissos em um sistema de feedback positivo que começa ao medir forças e continua através dos hormônios. Por isso você pode começar a se sentir melhor apenas agindo como um vencedor e o resto seu corpo segue e lhe dá a chance de mudar de verdade.

A Regra #2: Trate você como alguém que você seja responsável por ajudar (Treat yourself like someone you are responsible for helping)

Nós decidimos o quanto de caos e ordem queremos em nossa vida, portanto ser niilista é patético. Negocie com você de forma a obter o melhor retorno para si e não como um tirano dando ordens. Essa é uma regra que você deve seguir para evitar ser escravo do caos ou da ordem.

A Regra #3: Faça amizade com pessoas que querem o melhor de você (Make friends with people who want the best for you)

A derrota é o estado natural da vida e não precisa de explicação. O que deve ser explicado é a vitória, e como ninguém sabe é melhor estar próximo de pessoas que estejam querendo saber, e não o contrário, pois pessoas que estão na pior geralmente estão lá por um motivo e tendem a ficar lá e arrastar todos com ela.

A Regra #4: Se compare com quem você foi ontem, não com o que outra pessoa é hoje (Compare yourself to who you were yesterday, not to who someone else is today)

Parece óbvio, mas não faz o menor sentido se comparar com as outras pessoas. Por outro lado, você mesmo no passado é um ótimo indicativo; principalmente se decidir estar sempre melhor todo dia no decorrer de alguns anos. E sempre trabalhar em parceria com você mesmo, e não como um tirano mandando e desmandando em seu corpo e mente.

A Regra #5: Não deixe suas crianças faça qualquer coisa que faça você desgostar delas (Do not let your children do anything that makes you dislike them)

Violência na natureza não é algo que precise ser explicado, pois é o padrão. Sociedades organizadas é que precisam de explicação, e às crianças deve ser permitido se socializar o quanto antes para que aprendam a ser úteis nessa organização que temos e a serem indivíduos que as pessoas gostam de ter por perto.

A Regra #6: Deixe sua casa em perfeito estado antes de criticar o mundo (Set your house in perfect order before you criticize the world)

É simples: ache o que está fazendo de errado e pare de fazer, mesmo que você não saiba exatamente por que isso é errado. Fazendo isso aos poucos e em um ano ou dois estará completamente mudado.

A Regra #7: Persiga o que é significativo, não o que é expediente (Pursue what is meaningful, not what is expedient)

O significado para nós surgiu ao postergarmos a recompensa; com isso surgiu a civilização, evoluímos como grupos; pertencemos a algo maior que nós mesmos. É a fuga do hedonismo, o sacrifício que nos entrega um eu completamente mudado.

A Regra #8: Conte a verdade – ou, ao menos, não minta (Tell the truth – or, at least, don’t lie)

Só há uma maneira de melhorar na vida, que é sabendo quando algo está errado; mas mentir evita isso a todo custo, então nunca conseguimos melhorar mentindo para nós mesmos, pois o problema não consegue se tornar claro o suficiente para lidarmos com ele.

A Regra #9: Assuma que a pessoa que está ouvindo sabe algo que você não sabe (Assume that the person you are listening to might know something you don’t)

Você já sabe o que já sabe; e sabe que ainda não é suficiente. Então para obter mais conhecimento você precisa aprender a ouvir de verdade.

A Regra #10: Seja preciso ao falar (Be precise in your speech)

Se não formos acurados, isto é, se não extrairmos ordem onde há apenas caos, não há como discernir as coisas funcionando na realidade. E elas só funcionam de acordo com a nossa definição das coisas. Logo, seja mais claro ao evocar ordem e ela fará mais sentido para todos. E, claro, é preciso sempre definir bem (e sem mentir) quando há um dragão pequeno escondido debaixo da cama. Porque ele pode crescer.

A Regra #11: Não atrapalhe crianças quando estão no skate (Do not bother children when they are skateboarding)

Apenas o perigo cria as condições para nós crescermos. E no conto de João e Maria a bruxa é a mãe superprotetora, que os mantém presos em uma casa de fartura. Em determinado momento ela precisa sacrificar João, engordando ele. É essa a relação doentia de uma mãe superprotetora e seu filho morando para sempre com ela. Portanto, deixe as pessoas correrem os riscos que elas precisam correr para crescer. Do contrário a pessoa pode morrer lentamente e viver uma vida falsa, onde tudo é seguro.

A Regra #12: Brinque com um gato quando encontrar um na rua (Pet a cat when you encounter one on the street)

Aprender com o caos em formato de animal podemos entender como nos planejar a longo prazo, mesmo que as coisas sejam irremediavelmente imprevisíveis. Lidar com um dia após o outro e saber que há muito que sabemos que é difícil de lidar, como entes queridos precisando de toda atenção e cuidado por anos a fio. Nada é fácil, a vida humana é sempre sofrimento. Portanto fique feliz nos poucos momentos em que estiver observando um gato brincando na rua.

Essas são apenas minhas anotações preliminares da primeira leitura. São pessoais, para eu entender por cima um livro longo. E ele é longo porque Jordan B. Peterson gosta de se alongar em um assunto. Ele é uma máquina de narrativas, mas usa muitas referências científicas. Vale a pena uma releitura? Talvez não. Apenas de partes. Se trata de um livro episódico que contém alguns momentos que soam sabedoria, mas que acabam se revelando como um guia promissor para algum desenvolvimento de conhecimento baseado em humanos, com valores e ciência, caminhando a lado a lado para buscar o melhor de todos nós.

· blog · draft · books · Twitter ·