400 contra 1: Uma História do Comando Vermelho

Wanderley Caloni, 2010-08-06.

Essa é a história do nascimento do Comando Vermelho, uma das quadrilhas de assalto a bancos mais organizada do Brasil. O filme oscila entre os anos 70 e 80, os anos em que os membros fundadores estavam presos, desenvolvendo os conceitos que unem o bando, e soltos, época em que o número de assaltos a bancos multiplicou-se consideravelmente, e coincidentemente a última década do regime ditatorial.

E não é coincidência que a ditadura esteja colocada na descrição da história, pois o local onde a quadrilha nasceu foi a mesma prisão-ilha onde foram colocados cerca de 30 presos políticos daquele regime. De alguma forma, a história tenta traçar um paralelo entre os que foram presos defendendo suas ideologias políticas e o bando de criminosos que nasceu, se organizou e se alastrou pelo país.

Se por um lado o ar semidocumental regado com diálogos fracos e prolixos demais, mesmo que estes tentem soar autênticos, se aproveitando de gírias da época, tornam a história simples de ser seguida, e a constante mudança entre as décadas supracitadas afirmam categoricamente a incerteza que paira nas mentes dos criadores, que de tão simplório não consegue sequer traçar uma narrativa que se possa acompanhar e entender. Os detalhes vão aos poucos se tornando enfadonhos, repetitivos e abarrotados de explicações que nada acrescentam.

A fotografia é bem cuidada no sentido que divide bem o clima anos 70 (barrento, empoeirado) e da prisão com a consequente volta dos criminosos às ruas, com os mais coloridos e movimentados anos 80. Note como os movimentos e os zooms da primeira tomada (1980), seguidos por uma trilha de percussão da época, consegue transmitir claramente a época que estamos vendo.

O fato é que não há muito o que falar sobre nenhum personagem em específico, e a narrativa faz questão de não desenvolver nenhum deles. Pecando pela falta de localização na história, o tom artificial da maioria dos atores não ajuda.

Por fim, o ato final ganha mais ação, exatamente por ter encontrado a década de ouro da narrativa, e o tal 400 x 1 é um dos momentos mais empolgantes de toda a narrativa, mas não se sabe pela pasmaceira em que estávamos mergulhados até então ou pelo próprio mérito da sequência.

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