50 São os Novos 30

Pegando carona na lista de filmes sobre as diferenças das idades nos tempos atuais, "50 São os Novos 30" é uma comédia que aproveita sua protagonista para criar situações desconexas que existem para o riso fácil e descompromissado. O problema é que nem sempre é engraçado.

A história é clichê e cheia de furos: mulher independente sem filhos recebe um fora do seu marido aos 50 anos, que está saindo com uma mais nova. Para a conveniência do drama, ela é demitida do seu emprego e não consegue alugar um lugar para ficar. Por uma série de maniqueísmos sua única saída é voltar a morar com os pais, que a tratam como se ela ainda fosse uma adolescente, apesar de criarem um negócio para ela se estabilizar o quanto antes e sair da casa deles.

A única piada verdadeira e honesta do filme talvez seja que quando ela conhece seu par amoroso, que vive na mesma situação de morar com os pais, ele não é capaz de lhe dizer a verdade, mas a primeira coisa que ela faz ao ganhar intimidade é explicar sua atual situação, em uma referência divertida sobre a diferença dos sexos. O resto são momentos de humor entrelaçados, mas que soam televisivos. Como a mãe de Francine comprando um bronzeador artificial e tendo um caso lésbico onde todos do bairro parecem saber. Ha ha ha. Sim, é divertido de assistir. Esquecível, também.

Já a atuação de Valérie Lemercier como Marie-Francine é adequada até demais. Ela está fazendo uma dramédia e os roteiristas Sabine Haudepin e Valérie Lemercier não se alinham com esse estado de espírito. O resultado se torna mais engraçado, mas sem profundidade. Assista em uma tarde despretensiosa com pipoca. De preferência antes de chegar aos 50.

Wanderley Caloni, escrito para Cinemaqui, 2018-07-11 00:00:00 +0000

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