72 horas

2011-01-14

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Um drama contado em um ritmo adequado, que consegue avançar para um filme de ação em seu terceiro ato de forma surpreendentemente competente, visto que o filme consegue uma identificação com o drama de seus personagens, mesmo que perifericamente, e extrai disso uma emoção maior da perseguição final, pois não estamos assistindo mais um filme de perseguição qualquer.

O uso de câmeras subjetivas, tremidas e visões a la Ultimato Bourne (aéreas dos helicópteros, sons de sirene, trilha crescente) é igualmente competente, especialmente a trilha, que consegue mesclar momentos dramáticos com ação onde quase não percebemos a mudança.

Todas as minhas anotações foi do terceiro, pois é lá que se estabelece como um filme digno de nota. No primeiro e segundo ato, mais morosos, serve exatamente para estabelecer essa identificação com o drama, e pode ser moroso, mas não medíocre, pois nos faz acompanhar com interesse cada momento do plano sendo arquitetado.

O momento mais dramático, quando decidem se irão levar ou não o filho, quando a esposa se joga do carro em movimento, é o mais bem arquitetado nesse sentido de mesclar ação e drama, e prova disso é a trilha sonora, que, quando o casal para no meio da estrada, simplesmente o som que ouvimos é o do ambiente, numa prova irrefutável que a trilha conduz maravilhosamente bem a transição.

Ao mesmo tempo que torcemos pelo protagonista, por termos acompanhado seu plano, este parece verossímil justamente por não ser perfeito, mas por ter tido percalços razoavelmente transpassáveis, como a luta para conseguir um passaporte e dinheiro, ou o fato do plano ter sido jogado no lixo de propósito, em momento de tensão perfeitamente crível, porém, nesse último caso, previsível.

Já não é tão importante no final se ela é culpada ou não, pois sequer nos importamos com isso. Porém, para efeito de conclusão, a última visita ao local do crime tem um caráter simbólico, pois o botão que comprovaria a inocência do réu fica preso na tampa do bueiro, e escapa aos olhos atentos do investigador, igualzinho, da mesma forma com que os fugitivos conseguiram a escapada que parecia impossível.

E se o beijo do filho no final do filme soa piegas, é por pura necessidade de fechar os arcos lançados no decorrer do filme.

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