A Banda

Wanderley Caloni, 2020-09-06

Estão todos juntos porque o uniforme é o mesmo, mas seus espíritos vagam em diferentes sentidos, entre a fantasia de estar perdido em país estrangeiro e o desespero de ter que viver tudo aquilo com seus colegas. Porque, sabe como é, estão todos com o mesmo uniforme, mas não quer dizer na mesma página da partitura.

A Banda pode ser uma metáfora sobre a vida, ou pelo menos é isso que o espectador pode pensar, já que não há nada mais para pensar e os poucos diálogos apenas tentam compor a comédia de situações do choque de culturas: estrangeiros vestidos com extravagância deslocada observando a vida local e os locais em um misto entre alienação e nostalgia. Todos pararam no tempo neste filme.

Não há formas verbais de expressar o que é visto, especialmente porque não há nada a dizer. A pessoa que o concebeu, Eran Kolirin, um judeu, usa as atuações pontuais a dedo. Aquele momento que a judia de meia-idade encontra um homem maduro e viúvo e ambos não conseguem se conectar. Aquele embaraço dos mais jovens em não conseguir dar os primeiros passos em direção ao acasalamento juvenil. Tudo é motivo para exageros no filme, e chega um momento em que o exagero cansa e passamos a prestar atenção nos seres humanos por trás da comédia da vida.

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