A Cidade do Futuro

Wanderley Caloni, escrito para Cinemaqui, 2018-04-17.

Que trabalho lindo de direção este de A Cidade do Futuro. Ele guia seus atores não-atores para realizarem seus símbolos. Ele conta uma história sem precisar das falas. Em suma, ele não precisa do elenco para narrar, mas os utiliza como potência e movimento. Mas o movimento é meramente teórico. Não há atuações de fato, e o significado que extraímos de seus personagens ou é devido ao efeito Kuleshov, o teórico russo que há 100 anos descobre que a ordem na montagem das cenas muda o que sentimos por ela, ou é devido aos enquadramentos significativos da dupla de diretores, que não têm vergonha de soar tão basal em colocar um homem se ajoelhando em frente a uma mulher grávida e aceitando seu destino.
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