A Fera e a Festa

Este filme nos presenteia com uma visão do passado do cineasta que homenageia, Jean-Louis Jorges, cineasta da República Dominicana, e ao mesmo tempo nos faz pensar em cinema não apenas como uma história sendo contada, mas como uma visão muito particular da realidade.

Sua estrela é Geraldine Chaplin, que faz Vera, uma diretora em fim de carreira, dirigindo seu último filme por opção e por idade. Todos seus colegas e amigos estão morrendo, e por esta ser a filha de 75 anos de Charles Chaplin o filme já nos diz desde o começo que é uma viagem metalinguística, onde realidade e ficção se misturam.

Podemos ver isso também na própria produção do filme dentro do filme, que abraça a visão de seu homenageado, com dança, vampiros e uma relação muito próxima entre o real e o sobrenatural. Há momentos no filme que ele irá entregar uma cena que não deveria estar ali, e isso cria uma sensação diferente no espectador que espera pela conclusão da história principal.

E se esse espectador continuar esperando por essa lógica infelizmente irá se frustrar, muito embora exista uma história implícita, que é menor que a força da ficção de pontas soltas e de sensações que o filme entrega.

Ao mesmo tempo temos também uma visão particularmente única dos problemas de produção em filmes mais autorais e independentes. Isso não é novidade, já vimos em clássicos como O Retorno de Sweetback, que conta sobre a produção sofrida de Sweet Sweetback's Baadasssss Song, filme produzido e dirigido por Melvin Van Peebles, mas aqui há uma junção única entre uma homenagem a um cineasta e a construção da arte.

Wanderley Caloni, escrito para ou com a ajuda de Cinemaqui, 2019-10-21 00:00:00 +0000

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