A Filha Perdida

Filme de arte não se gosta nem desgosta: muito pelo contrário. Nessa aventura sem pé nem cabeça cheia de metáforas inúteis sobre a vida de mãe que se relacionam de longe com críticas do patriarcado ou algo que o valha, esta professora universitária caduca e desvairada não encontra sossego em suas longas férias de acadêmica quando uma família local dá uma de Poderoso Chefão para mulheres. Há apenas mulheres nesse filme, Ed Harris e um garçom novinho, mas até eles são revelados como decepções, como todo homem que se preze neste século. Hoje se você é homem ou é violento demais ou molenga demais. E será largado por sua vadia indubitavelmente.

Maggie Gyllenhaal assina direção e roteiro dessa adaptação literária sobre uma literária. Sim, é claro que ela é a heroína da história, apesar de louquinha da silva. A interpretação da principal é algo que paramos para ver. Mais pela direção sufocante de Maggie e o sorriso maroto da sênior Olivia Colman. Ambas criam um mundo que passeia por flashbacks e constroem um mistério que será revelado quase que por acaso em uma cena nada emocionalmente ou impactante.

Isso acontece porque a heroína é uma intelectual, que como toda acha insuportável ser mãe de crianças pequenas que ela mesmo, junto de seu molenga marido, tiveram incapacidade de educar. Este é um filme também sobre o desastre da paternidade quando pais se acham muito espertos e esclarecidos, e o espelho entre o futuro e o passado se convergem.

Wanderley Caloni, 2022-04-12 23:02:18 -0300

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