A Teta Assustada

Wanderley Caloni, 2021-03-03

Existe uma teta. E ela é assustada. O impacto do terror no passado da história do Peru faz a teta ficar assim. Sim, são muitos trocadilhos para nossa mente interior de quinta série lidar. Mas fica pior: a moça tem uma batata na ppk.

Este filme é muito bem conduzido apesar de todos esses trocadilhos porque possui um monte de mulheres em torno da direção, roteiro e produção. Seria impossível fazer este filme com muitos homens no set. Eles tentaram, mas todos acabaram rolando de rir e desistiram do emprego.

A dona da teta, ops, as tetas, é Fausta, uma moça que acabou de perder a mãe e tem que ficar aguentando o diagnóstico do médico de que uma batata na ppk pode gerar efeitos colaterais graves. Ela é interpretada por Magaly Solier de maneira simplória: é uma cara assustada, não uma teta, e pronto. Minimalista, diriam alguns. Limitada, outros. Para mim, fica no meio do caminho. É difícil enxergar mais alguma coisa na atriz exceto essa cara nervosa que as feministas deste século costumam exibir.

No meio do filme a melhor parte são as festas e costumes da época. Acompanhamos um casamento coletivo na região com algumas festinhas e uma invenção chamada "buffet móvel". A ideia é oferecer o pouco de comida que os anfitriões podem compartilhar e sumir logo com a mesa. Enquanto a teta vai tentando ganhar um dinheirinho para enterrar a mãe em seu vilarejo acompanhamos todo esse registro cultural com muito mais curiosidade.

As imagens são ricas, bem filmadas e fotografadas. Filme de arte, diriam alguns recém-formados em crítica artística. Um filme feito para crítico gostar, diria eu. Mas por detrás de tantas virtudes técnicas existe alguém que sabe o que está fazendo.

Este alguém é a diretora Claudia Llosa, muito melhor que a roteirista Claudia Llosa. O roteiro é comprado da biblioteca de cartilhas sociais, mas a direção é virtuosa, pega em nossa mão com uma narrativa fluida, hipnotizante. Quase não há falhas no controle da história por Llosa. É um filme para absorvermos cinema.

Enquanto isso a tetinha segue sua via crucis, servindo de exemplo dos tempos terríveis das gerações passadas, tempos de fome e violência. Para os homens, o título do filme é o humor em drama de gente de arte que merece ser visto.

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