AlphaGo

2019-08-26 · 3 · 471

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Este é um documentário feito daquele jeito que a câmera vai acompanhando a ação acontecendo. É uma disputa memorável entre homem e máquina, mas em vez de xadrez, dessa vez é o Go, um jogo milenar na Ásia. Mas em vez de abordar com a mesma profundidade com que Alpha Go faz seus lances, a super-engine de Inteligência Artificial desenvolvida pela Google, o diretor Greg Kohs prefere que o filme conte sua história por si mesmo.

O que não é ruim; apenas convencional. Acompanhamos os dois matches organizados pela Deep Mind, empresa criada pela Google para este projeto de Machine Learning, em que a máquina aprende através de tentativa e erro e à sua maneira qualquer lógica ensinada, seja jogar Go ou curar câncer. No momento estamos focados no Go, e o câncer vai ficar para depois.

O que o filme não consegue entender é que para leigos, tanto de Go quanto de computação, o que está nas entrelinhas que os nerds de ambas as áreas conseguem entender não é tão fácil assim ao espectador médio, que precisa ser ensinado sobre o que está acontecendo em uma partida do jogo, independente das regras. Nós precisamos entender alguma analogia, ou o que está em jogo aqui. Porém, já que nem os próprios comentaristas do jogo parecem entender de fato o que está acontecendo durante uma partida, e nem os próprios criadores do programa, o filme foca apenas na superfície do evento em si, o espetáculo “homem x máquina”, e se esquece de todo o potencial narrativo desta história.

Ela trata do match principal entre o campeão mundial (18 vezes!) de Go, o coreano Lee Sedol. O filme explica que esse software de computador utiliza partidas jogadas por humanos para aprender, mas se esquece de diferenciar que, diferente de uma engine tradicional, AlphaGo não utiliza base de dados de partidas. Ele não olha para o histórico do que aprendeu: o software é a soma do que ele aprendeu. Assim como humanos.

O filme é conduzido com uma trilha sonora emocionante e com uma tensão no ar semelhante ao momento em que a IBM desafia o campeão de xadrez do mundo, Garry Kasparov, na década de 90, a jogar com sua engine Deep Blue. Até aquele momento não havia programas que vencessem grandes mestres. Hoje em dia tanto Stockfish quanto AlphaZero (outro projeto da Google baseado em IA) batem facilmente a maioria dos melhores jogadores do mundo.

Mas Go é mais complexo. Como? Eu não sei. Não quis aprender antes para ver a habilidade do filme em nos situar, e ele falha miseravelmente. Porém, como até os comentaristas desse jogo parecem falhar, e em rede nacional, me parece que este jogo é tão complexo que humanos apenas arriscam dizer que sabem alguma coisa. Já é ponto para a máquina antes mesmo do match começar.

AlphaGo (United States, 2017). Dirigido por Greg Kohs. Com Ioannis Antonoglou, Lucas Baker, Nick Bostrom, Yoo Changhyuk, Nam Chi-Hyung, Hyeyeon Cho. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·