Amazonita é ficção curtinha de época sobre folclores brasileiro

2019-07-16 · 3 · 520

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Tudo começou em um grupo de filosofia no Telegram. Oi? Sim, foi lá que encontrei a escritora Nati Oliver na época em que se chamava Natalia Oliveira (a conheci antes de virar modinha). Fora do grupo começamos a bater papo e descobrimos nosso prazer mútuo por Agatha Christie, além de ambos sermos escritores de mundos distintos (ficção e não-ficção dialogam à distância). Ah, outro detalhe importante: ela mora na região de Minas Gerais que eu adoro: Poços de Caldas (queijos, cafés e cervejarias artesanais).

Mas esse não foi o começo da conversa. O começo foi mesmo sobre seu livro, Amazonita, “literatura fantástica ambientada 1900 e alguma coisa”, de acordo com ela própria. Ela me apresentou o livro, que estava à venda na Amazon. Adquiri como um gesto presente de cordialidade entre colegas de profissão, marcando um futuro distante onde o leria, já que pilha de leitura sempre é enorme. Esse dia finalmente chegou, e durou cerca de duas horas.

Nati corajosamente decidiu que seria escritora como profissão. Ela já tem Amazonita publicado na Amazon (a ironia) e um livro infantil encaminhado sobre uma lebre que é chef, Chef Lebrinha, cuja especialidade é caldo de ervilha, e um anão garçom, ambos trabalhando no restaurante de um pirata. Essa parece uma aventura que eu leria em minha época de “A Mina de Ouro” (lembram do clássico de Maria José Dupré?).

Esse tom lúdico me fez lembrar que em Amazonita há uma miscelânea de tópicos que se abrem na introdução de seus personagens. Se trata de um livro curto, quase que de introdução, onde boa parte dos seus personagens são ícones do folclore brasileiro. Parece clichê nacionalista, mas a mescla entre o mundo aristocrático do início do século passado e essas figuras aparecendo aos poucos é a parte que mais gera curiosidade para o leitor, ainda que Nati nos entregue tão pouco da caracterização dos ambientes, deixando um gostinho de quero mais.

A protagonista é a corajosa Aurora Monteiro (sobrenome sugestivo, de outro escritor folclórico, o Lobato), que acabou de perder seu pai e precisa cuidar do irmão e de si mesma na cidade grande para onde nunca havia ido antes, em São Paulo e seus bondes. Ela vai encontrando pessoas muito boas pelo caminho, como o gerente de um hotel luxuoso, e em plena época do iluminismo ela é uma curupira com os poderes mágicos de curar as plantas.

O livro não nos dá tempo de desenvolvermos senso crítico. Se trata de uma descrição rápida e fugaz de acontecimentos, com pouca descrição das circunstâncias. Nati está com pressa, o que é bom para o leitor eventual. Ela pesquisou, teve que tirar elementos inexistentes na época, como uma sorveteria, e com certeza boa parte do folclore ali descrito é como é, apesar de nós, brasileiros, dificilmente descobrirmos sobre isso em nossa educação formal.

Ficção jovem quase adulta, Natalia gostaria de atingir um objetivo mais adulto ainda, ficando entre Harry Potter e Game of Thrones. Não será difícil. A dedicação em começar a carreira ela já tem. Resta agora seguir o árduo e tortuoso dos escritores independentes no Brasil. Outro traço do nosso folclore.

· blog · draft · books · Twitter ·