Anuska, Manequim e Mulher

Este é um rascunho e está sujeito a mudanças.

É interessante assistir esses filmes antigos brasileiros. Este da década de 60, muito próximo da intervenção militar, flerta com o cenário político do país e é um dos últimos a fazer isso. Francisco Cuoco é Bernardo, um escritor frustrado de um jornal convencional que se fecha cada vez mais para a realidade. Ele conhece a belíssima Anuska do título, interpretada por Marília Branco, e ambos criam junto do diretor Francisco Ramalho Jr. quadros que evocam o desolamento e a tentativa de ser feliz em um país à beira do colapso.

Claro que essa é a descrição perfeita para uma análise primordial da quebra dos relacionamentos que parecem perfeitos no início. Só que este nunca foi perfeito desde o começo. Bernardo estava apenas apaixonado e o filme nos revela essa paixão boba e arrebatadora os colocando girando em círculos e correndo e dançando em torno da Estação da Luz em São Paulo, que já é uma cidade movimentada.

Inicialmente abordando o universo da moda de forma hermética, esta produção de baixo orçamento e ideias limitadas possui um roteiro pedestre com falas artificiais, mas consegue transcender a tudo isso mesmo assim. Não é um filme ruim, mas é pouco explorado. Soa amador, mas sem uma paixão. Talvez o próprio reflexo das pessoas naquela época.

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