As 4 Aventuras De Reinette E Mirabelle

Wanderley Caloni, 2019-08-28

As 4 Aventuras de Reinette e Mirabelle vai bem reto e certeiro em seu objetivo: ser literal. Em sua primeira cena o pneu da bicicleta de Mirabelle fura, e Reinette a ajuda a verificar onde está o furo e a colocar o adesivo. Todo o processo é explicado do começo ao fim, quase como um programa de TV sobre faça você mesmo. Logo você percebe que o filme é repleto de momentos literais, embora quando se chega em Paris a história fique um pouco mais fantasiosa.

É curioso como, baseado em quatro eventos na vida dessas duas garotas, este longa-metragem tenha tudo para se tornar um seriado. Isso se ele fosse produzido nos EUA. Mas como é francês, a história tem começo, meio e fim. Muito embora tanto faz qual o meio, o fim e o começo. Reinette gosta de pintar, aprendeu sozinha, e vai para Paris morar com Mirabelle e fazer um curso na faculdade de Belas Artes. Ela gosta de ser independente, mas precisa se virar financeiramente.

Ao mesmo tempo três situações do dia-a-dia ocorrem envolvendo pedintes de rua, uma cleptomaníaca e um garçom muito mal-educado, e o filme é sobre observar o que Mirabelle e Reinette acham sobre tudo isso. Ouvir suas opiniões nos faz, como espectadores, pensar sobre as nossas próprias, mas também nos faz refletir como é comum conversar sobre assuntos banais como esse e de repente isso vira uma questão moral sobre nossos valores.

Pautado no minimalismo, a narrativa que o diretor e roteirista Éric Rohmer utiliza, baseado na ideia de Joëlle Miquel (a atriz que faz Reinette no filme), é simples e eficaz. Os diálogos são reais, as situações são banais, e o filme acaba se tornando sobre como vivemos nós próprios vidas banais e discutimos situações triviais em nosso cotididano. É uma imersão em nossa mediocridade em um filme idem. Uma ode à pessoa comum e suas decisões aparentemente cruciais sobre como viver.

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