As Horas

2019-03-24 · 2 · 425

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Um filme é depressivo e te deixa depressivo. Ele foi bem sucedido como um filme? Não para mim. Eu não li nenhum dos livros e não gosto muito desse filme. Dizem que foi uma excelente adaptação. Bom, ele conta várias histórias de gente depressiva em épocas e lugares diferentes e em alguns momentos as histórias se juntam. Mas seus personagens e suas histórias são tão depressivos que quem se importa?

As Horas é uma adaptação de um livro (de Michael Cunningham) que usa um outro livro escrito por Virginia Woolf, uma escritora conhecida pela incapacidade de ser feliz. Seus fãs dirão que é menos sobre depressão e mais sobre a insustentabilidade da felicidade, o que para mim dá no mesmo. Muitos dos seus personagens estão à beira de um colapso e a morte parece um caminho viável. Não só viável, mas o melhor caminho. E do ponto de vista de um espectador que até agora só viu o pior dessas pessoas, vê-las morrer seria um alívio.

Mas não é assim que o filme/livro trata o tema. Ele entende a morte necessária para valorizamos nossa própria vida, mas do ponto de vista de um depressivo a vida dos outros é uma maravilha, e não é bem assim que a banda toca. Saber viver é uma conquista de cada um, e se alguém incapaz conclui que sua vida apenas continua, encarando As Horas que vêm à frente, apenas pelas pessoas em volta que a querem bem, acho que temos um problema.

Mas esse filme tem algo deveras curioso: uma Nicole Kidman completamente irreconhecível. O setor de maquiagem está de parabéns. Vemos também uma Juliane Moore envelhecida irretocável. As mulheres desse filme recebem um tratamento que as naturaliza em cada época, cada situação, cada momento.

E por falar em mulheres, há muitas nesse filme. Demais. Atingiu e superou a cota, o que quer dizer críticas mais que positivas da crítica e alguns prêmios. Mas não sejamos hipócritas: apesar de um elenco de peso, o filme não se sustenta: se arrasta. A única coisa que nos permite continuar assistindo são Meryl Streep, Julianne Moore e Nicole Kidman. Esse é o mérito delas em um filme mais falado que sentido. Há texto demais, psicologia demais, filosofia barata demais.

Mas é um entretenimento. As transições entre as épocas são elegantes. Principalmente no começo. Depois fica banal, banal como a vida dessas pessoas. Mas é divertido assistir a vida banal de pessoas em um filme. Especialmente se você sabe que alguém vai morrer no final. Dica: não vai ser uma mulher. Óbvio.

The Hours (United States, United Kingdom, France, Canada, Germany, 2002). Dirigido por Stephen Daldry. Escrito por Michael Cunningham, David Hare. Com Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep, Stephen Dillane, Miranda Richardson, George Loftus. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·