Baarìa - A Porta do Vento

2010-09-17

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

O novo filme de Tornatore na verdade conta uma história da antiga Itália, seu nascimento como fascista, seus movimento social-comunistas e seu fim. Com o uso da tela inteira para apresentar paisagens de tirar o fôlego, seja da cidade-título quanto os pastos sem fim, o diretor continua com seus resquícios que remetem a Cinema Paradiso: trilha evocativa, movimentos de câmera circulares, um garoto que vê negativos de filmes de cinema, o cara que sempre fica na praça (“compro dólar/vende caneta”, em comparação com o louco da praça) e tantas outras cenas e modos de contar uma história.

Até os “raccords” evocam a mesma narrativa, como quando o diretor quer avançar no tempo faz o conhecido corte de rosto jovem para o mais velho, ou quando vai contar a história do pai e faz uma bela narrativa circular usando os dentes como ponto de virada. Apesar do ritmo que começa enlouquecedor e aos poucos vai se abrandando a história possui uma unidade, apesar de fragmentada, e conta a evolução das pessoas, da cidade e do próprio país através dessas sensações e, principalmente, pelo senso político. Isso pode ser notado principalmente quando sempre voltamos na rua principal e sua praça.

Talvez a mudança do discurso do comprador de dólar para vendedor de caneta, assim como vários outros detalhes da história, tenham implicação tanto política quanto histórica na mente italiana da época. É interessante também a forma usada para mesclar três gerações, que soam tão diferentes mas mantém coisas em comum.

E, por fim, voltamos ao castigo da sala-de-aula, momento em que ficamos suspensos por todo o filme, todas aquelas décadas, tentando nos achar, mais ainda quando vemos o menino correndo para o outro lado, voltando de comprar o cigarro (seria uma alusão a uma Itália adormecida pela época fascista?).

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