Beetlejuice: Os Fantasmas Se Divertem

2019-03-06 · 3 · 521

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Se vocês assistiram Uma Aventura Lego 2 recentemente, podem confiar na opinião do Batman: Michael Keaton está ótimo em Beetlejuice.

Já como o filme, o que dizer? É o Tim Burtiniano de sempre, seja nos anos 80, 90 ou 2000: cheio de gadgets visuais que não impressionam mais, mas cumprem seu papel. Alguém estica a cara e fica com olhos gigantes, arrancando seus globos oculares e grudando-os multiplicados nos dedos das mãos. É uma visão sintetizadora do poder de imaginação do cineasta.

Os personagens de Alec Baldwin (magrinho…) e Geena Davis (onde foi parar?) são adoráveis nos primeiros cinco minutos, morrem e dão lugar ao show de horrores quando a casa é comprada por uma família desagradável onde a que seria a mais desagradável de todas, interpretada pela sempre mocinha Winona Ryder, acaba se tornando os nossos olhos em meio à canastrice e ao mau gosto. Como essa menina foi parar nessa família? Alguns personagens soam canastrões e excessivamente caricatos demais, como Glenn Shadix como o repulsivo Otho.

Tudo vai acontecendo muito rápido para que não pensemos demais. É o mundo dos vivos enxergado pelos mortos, e o mundo dos mortos é divertido à sua maneira. O filme peca talvez pela falta de expandir o seu mundo, mas por outro lado ele permite que nos concentremos no problema central: expulsar as visitas mal-vindas da casa. O que vemos do além é apenas amostra grátis de outros trabalhos de Burton, como produtor ou diretor: A Noiva Cadáver, O Estranho Mundo de Jack, Frankenweenie… a morte sempre esteve na mente gótica de um idealizador mais preocupado em cores e direção de arte que sua narrativa.

A trilha sonora de Danny Elfman é um exagero tão bizarro de comédia que é como se o filme nunca fosse cair de fato no terror involuntário e assustar as crianças. Pude assistir tranquilamente a todas as cenas com minhas sobrinhas de 11 e 10 anos, apesar do velho safado do Betelgeuse ter caído em um inferninho na maquete onde vive. Algumas coisas não é preciso explicar para os mais novos. Outras é melhor nem tentar.

Michael Keaton é a melhor coisa do filme. À vontade e empolgado, sua participação teria sido afetada negativamente se houvesse maquiagem e truques visuais demais. Quando vemos a face de Keaton e seu lado canastrão é como se valesse esperar por todas as brincadeirinhas inocentes do resto do elenco. Ele é um anti-herói, um dos primeiros, e vem com sangue nos olhos.

Tim Burton percorre esse tema quase sempre de olho no contraste em como o mundo dos vivos é tão sem graça. A Noiva Cadáver é a síntese disso, mas Edward Mãos de Tesoura, por exemplo, explora o esquisito como algo fascinante em meio a uma rua onde o American Way of Life não é apenas desinteressante, mas opressor. É esse empurrãozinho rumo ao sobrenatural que vira o sopor de vida para trabalhos ambiciosos tematicamente. E mesmo que na narrativa fiquemos patinando de um lado para o outro, quem não gosta de variar de vez em quando? Quem não gostaria de morrer em um fim de semana para saber como é?

Beetlejuice (United States, 1988). Dirigido por Tim Burton. Escrito por Michael McDowell, Larry Wilson, Warren Skaaren. Com Alec Baldwin, Geena Davis, Annie McEnroe, Maurice Page, Hugo Stanger, Michael Keaton. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·