Antigo bem-vindo do finado Cine Tênis Verde

2010-04-01 blog

_Update 2026-09-05: escrevi esta introdução ao meu segundo blogue iniciado em 2010 sobre cinema. Iniciava aqui meu projeto de me tornar crítico de cinema. Agora que o CTV se foi resolvi publicar aqui no blogue como marco temporal do início dessa época. Cinco anos mais tarde estaria frequentando cabines de imprensa e escrevendo sobre filmes alternativos antes de sua estreia._

Assistir filmes pode ser usado como entretenimento e fuga da realidade. E, de fato, a maioria das pessoas usa o cinema para isso (eu incluso). No entanto, como tudo na vida, esta forma automática de reagir ao conteúdo que nos é jogado para consumir não é a melhor maneira de interagir com o mundo, nem de aproveitar duas horas de lazer de sua vida.

O Cinema se construiu como parte integrante da era industrial, consequência quase que lógica do avanço do capitalismo e do fornecimento de bens e serviços para uma imensa massa que era antes excluída dos bens mais essenciais à vida humana. Isso torna tudo mais complicado, pois como pode, caro leitor, uma obra ser produzida como um produto, um empreendimento de risco, visando o lucro, e ao mesmo tempo conquistar corações e mentes, e, algumas raras vezes, elevar a comunicação audiovisual em um novo patamar estético e ser celebrado como uma nova forma de arte, talvez a mais completa e complexa que um ser humano poderá experimentar neste mundo?

Para que tudo isso faça sentido é vital que as pessoas assistam cada vez mais e mais filmes, pois apenas pela prática poderemos atingir a excelência em algo na vida. Porém, diferente de consumidores passivos, que deixam seu cérebro em uma tigela enquanto mastigam pipocas como zumbis observando a historinha que é colocada na sala escura cada vez mais cheia de pequenas telas dos celulares dos outros tipos de zumbis, é imperativo que usemos o cérebro e nossa mente como ferramentas de análise crítica do que nos é imposto pela mágica da projeção em 24 (ou 48) fps. Não aguentaremos mais os velhos formatos de uma mídia enlatada se conseguirmos projetar como consumidores ativos para quais tipos de obras dedicaremos nosso tempo e suado dinheirinho.

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