Antigo bem-vindo do Cine Tênis Verde
Caloni, 2010-04-01 cinema blog2026-01-24 A partir da data original deste artigo comecei a escrever sobre cinema em um domínio próprio, que nos anos recentes acabou se juntando ao meu blogue técnico em uma massa de milhares de textos. Assim como estou fazendo a curadoria dos textos técnicos, muito menos dos mais de 1300 e lá vai cacetada textos das críticas que fiz estarão aqui no blogue. Irei poupá-los desta poluição nessa versão mais enxuta. O texto abaixo está disponível como um aviso de mudança de fase do autor que vos escreve.
Assistir filmes pode ser usado como entretenimento e fuga da realidade. E, de fato, a maioria das pessoas usa o cinema para isso (eu incluso). No entanto, como tudo na vida, esta forma automática de reagir ao conteúdo que nos é jogado para consumir não é a melhor maneira de interagir com o mundo, nem de aproveitar duas horas de lazer de sua vida.
O Cinema se construiu como parte integrante da era industrial, consequência quase que lógica do avanço do capitalismo e do fornecimento de bens e serviços para uma imensa massa que era antes excluída dos bens mais essenciais à vida humana. Isso torna tudo mais complicado, pois como pode, caro leitor, uma obra ser produzida como um produto, um empreendimento de risco, visando o lucro, e ao mesmo tempo conquistar corações e mentes, e, algumas raras vezes, elevar a comunicação audiovisual em um novo patamar estético e ser celebrado como uma nova forma de arte, talvez a mais completa e complexa que um ser humano poderá experimentar neste mundo?
Para que tudo isso faça sentido é vital que as pessoas assistam cada vez mais e mais filmes, pois apenas pela prática poderemos atingir a excelência em algo na vida. Porém, diferente de consumidores passivos, que deixam seu cérebro em uma tigela enquanto mastigam pipocas como zumbis observando a historinha que é colocada na sala escura cada vez mais cheia de pequenas telas dos celulares dos outros tipos de zumbis, é imperativo que usemos o cérebro e nossa mente como ferramentas de análise crítica do que nos é imposto pela mágica da projeção em 24 (ou 48) fps. Não aguentaremos mais os velhos formatos de uma mídia enlatada se conseguirmos projetar como consumidores ativos para quais tipos de obras dedicaremos nosso tempo e suado dinheirinho.