Bonding

Bonding, ou Amizade Dolorida (como está na Netflix Brasil), é uma série curtinha, que quase pode ser um filme, se tivesse a ousadia de implementar um closure no final de sua temporada. Mas não importa: é um conteúdo solto. Livre, leve e solto. Ele trata de traumas de adolescência, sexo e fetichismo de maneira a abraçar o mundo. E é um abraço gostoso e engraçado.

É mais ou menos essa a impressão dessa série que possui um elenco afiado para sua história, que envolve a amizade entre um gay/bi e uma garota atormentada pelos rapazes do colégio. Eles "cresceram" e resolveram seus problemas desenvolvendo diferentes fetiches sexuais. Ela é uma dominatrix, e trabalha com isso. Ele é um fudido, e trabalha para ela como assistente. E tem fetiches por pés.

Os personagens que vão se acumulando nos curtos episódios são assim como eles engraçados e espirituosos. Não é que o roteirista escreveu frases de efeito para todos eles e foi distribuindo. As piadas funcionam do ponto de vista de cada um deles. Este é um trabalho acima da média da Netflix, pois vitimiza pouco os bizarros que tenta homenagear/prencher cota, preferindo dessa vez comemorar as diferenças.

E nesse sentido temos um movimento semelhante à série Community, quando os nerds foram homenageados como deveriam, difernete da série comunzinha The Big Bang Theory. Quer dizer, é este movimento, mas para variantes sexuais. Os especialistas da área da saúde talvez pirem, mas bem feito para eles, que dependem que as diferenças comportamentais dos mortais existam e sejam tratadas como doença.

Wanderley Caloni, 2019-04-24 00:00:00 +0000

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